Pelo menos três mortos após passagem de ciclone Gezani no Sul de Moçambique
Ciclone tropical intenso já não constitui perigo para Moçambique
Pelo menos três pessoas morreram na província de Inhambane, sul de Moçambique, na passagem de ciclone Gezani, disse à Lusa o governador, Francisco Pagula, confirmando ainda danos em infraestruturas públicas e em casas.
"Os números levam-nos a isso, de três mortos, mas ainda estamos a compilar os dados", disse o governador da província de Inhambane.
As vítimas mortais registaram-se, segundo informação preliminar, na sequência da queda de um coqueiro sobre uma habitação, face aos fortes ventos que se fizeram sentir desde a noite de sexta-feira, na cidade de Maxixe, e por descargas atmosféricas, também na cidade de Inhambane.
"O que mais sofremos são infraestruturas sociais, salas de aula, unidades sanitárias, infraestruturas desportivas. E temos a situação de ponte cais na cidade de Inhambane, em que a plataforma flutuante acabou ficando submersa. É uma ponte com um grande impacto económico porque por dia movimenta 3.000 pessoas entre as cidades de Inhambane e Maxixe", alertou Francisco Pagula, em declarações à Lusa por telefone.
"E famílias que ficaram desalojadas por conta dos tetos desabados. Todos sabemos que 80 a 90% das casas em Inhambane são por chapas de zinco", disse ainda o governador.
O ciclone Gezani atingiu os distritos costeiros de Inhambane ao início da noite de sexta-feira, com chuva intensa e fortes ventos que se prolongaram até ao início da manhã. Relatos generalizados apontam que o vento arrancou coberturas de casas e infraestruturas públicas, incluindo um posto policial, derrubando árvores e deixando estradas quase intransitáveis.
O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, apelou na sexta-feira às populações para se "retirarem das zonas de risco" do ciclone Gezani, poucas horas de este atingir a província de Inhambane com ventos até 250 quilómetros por hora.
"Não temos como travar o ciclone, o que nós temos que fazer é minimizar os danos e depois de passar o ciclone precisamos estar no terreno para podermos avaliar os danos e fazermos um plano de recuperação pós-ciclone e pós-cheias ao nível do nosso país", afirmou o chefe de Estado.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inam) moçambicano alertou que o ciclone Gezani ia atingir Moçambique como ciclone tropical intenso, com rajadas de vento até 250 quilómetros por hora, na província de Inhambane.
Pelo menos 40 pessoas morreram em Madagáscar durante a passagem do Gezani, que atingiu com força na terça-feira à noite a segunda maior cidade do país, Toamasina, segundo o balanço das autoridades malgaxes.
Moçambique ainda recupera das cheias de janeiro, que provocaram pelo menos 27 mortos e afetaram quase 725 mil pessoas.
Desde outubro, início da época chuvosa, Moçambique registou pelo menos 202 mortos, 291 feridos e 852.285 pessoas afetadas, segundo atualização do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).