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Madeira

Madeirenses com filhos são os que menos evitam compras de grande valor e duração

Juntamente com os açorianos, apenas 58%, comparado com a média nacional, segundo estudo de consumo divulgado hoje

Foto Shutterstock
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Para assinalar o Dia dos Namorados, a Intrum, líder no sector de serviços de gestão de crédito na Europa, revela um estudo no qual salientas que "muitos casais portugueses partilham jantares, presentes e promessas de uma vida a dois", mas "esses planos podem muitas vezes ser adiados porque a realidade mostra um cenário de crescente prudência entre os portugueses". E nesse particular, os madeirenses e também os açorianos são os que menos são influenciados quando têm de tomar decisões financeiras a longo prazo.

"O ECPR - European Consumer Payment Report 2025 – Portugal, divulgado pela Intrum, revela que 68% dos consumidores admitem adiar grandes decisões financeiras, como comprar casa ou automóvel, por receio da situação económica atual, um valor muito acima da média europeia (45%). Esta hesitação não afeta apenas a saúde financeira das pessoas: afeta relações, planos de vida conjunta e a capacidade de um casal construir o seu futuro com segurança", refere uma nota de resumo do estudo.

"Esta tendência é transversal a géneros, gerações e perfis familiares. Se, por um lado, tanto homens (67%) como mulheres (68%) manifestam níveis semelhantes de hesitação o estudo revela diferenças claras entre gerações ao nível da prudência financeira", aponta. "Os consumidores mais jovens são os que mais adiam decisões de grande investimento: na Geração Z, 78% mostram-se apreensivos em relação a compras de alto valor, ao passo que entre os Baby Boomers essa percentagem é de 50%. A Geração X e Millennials situam-se nos 70%", realça.

Este é "um cenário que indica que os mais novos tendem a sentir maior insegurança para avançar com planos como comprar casa, talvez devido a menores rendimentos ou experiências em crises recentes, enquanto as gerações mais velhas aparentam ter um pouco mais de confiança ou estabilidade", salienta a Intrum. "Este impacto emocional afeta não só o consumo, mas também a forma como os jovens casais se relacionam com o dinheiro — e entre si. A dificuldade em poupar, a ausência de uma base financeira sólida e a pressão social permanente contribuem para uma crescente instabilidade emocional que pode afetar as relações".

"Já entre os agregados familiares com filhos, o adiamento de decisões é ainda mais significativo: 71% dos portugueses com crianças evitam avançar com compras de grande valor, em comparação com 66% nas famílias sem filhos. Estes dados revelam que o peso das responsabilidades parentais agrava o receio de compromissos financeiros a longo prazo - mesmo quando esses compromissos são parte natural de um projeto de vida a dois". E é aqui que entra a indicação regional.

"A análise regional evidencia que as ilhas (Madeira e Açores) e o Alentejo se situam nos extremos, com 58% e 77%, respetivamente" no que toca ao adiamento destas decisões de longo prazo. "A Área Metropolitana de Lisboa apresenta um valor intermédio, fixando-se nos 67%", frisa.

E a explicação: "Além de adiarem compras, muitos consumidores evitam dar outros passos que poderiam melhorar ou transformar as suas vidas. Segundo o ECPR Portugal 2025, 62% dos portugueses dizem ter receio de mudar de emprego ou lançar um negócio devido ao atual clima económico. Também aqui, as mulheres (64%) mostram-se ligeiramente mais cautelosas do que os homens (60%) na hora de mudar de vida. E novamente, famílias com filhos (64%) revelam mais receio do que as que não têm filhos. No entanto, seja por precaução, seja por pressão, uma maioria da população está a congelar decisões fundamentais que, em muitos casos, implicam ou impactam diretamente a vida de casal."

É importante compreender que muitos casais não estão a adiar os seus planos por falta de vontade, mas sim por medo real de não os conseguirem sustentar. A instabilidade financeira está a minar a confiança necessária para dar passos estruturantes na vida a dois, como adquirir casa, mudar de carreira ou investir num futuro partilhado. Luís Salvaterra, Diretor-Geral da Intrum