Única resposta a Trump é criar verdadeiro mercado único e integrado, diz Letta
O antigo primeiro-ministro italiano Enrico Letta considerou que "a única resposta eficaz" à política protecionista do Presidente norte-americano, Donald Trump, é criar na UE um "mercado verdadeiramente único" e integrado.
"Temos de passar de 27 para um. A única resposta que pode ser eficaz face ao que Trump está a fazer contra a Europa é integrar o mercado único e passar de um mercado único para um mercado verdadeiramente único", declarou Enrico Letta, após uma troca de impressões esta tarde com os líderes da UE, num retiro informal do Conselho Europeu dedicado ao tema da competitividade.
"Em 1992, passámos de mercado comum para mercado único e agora estamos prontos para completar esse processo e avançar do mercado único para um mercado único pleno, o que significa integrar a energia, a conectividade da União e as telecomunicações, e criar e lançar uma União da Poupança e do Investimento", elencou o responsável, em declarações à imprensa à margem da cimeira europeia, no castelo de Alden Biesen, a cerca de uma hora de Bruxelas.
De acordo com Enrico Letta, "se não houver uma forte integração dos mercados financeiros, será impossível [a UE] ser suficientemente competitiva".
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, destacou o "profundo conhecimento, trabalho detalhado com as partes interessadas e uma noção clara do que está em jogo" de Enrico Letta, falando numa "contribuição valiosa que faz avançar o debate" na UE, de acordo com uma mensagem publicada na rede social X.
O antigo primeiro-ministro italiano Enrico Letta propôs, num relatório divulgado em abril de 2024, uma dívida conjunta com planos de reembolsos claros, empréstimos em condições favoráveis e apoio do Banco Europeu de Investimento para financiar o investimento da UE em segurança e defesa.
Os líderes da UE, sem o primeiro-ministro português, estiveram reunidos num retiro na Bélgica para discutir como aumentar a competitividade e o crescimento económico comunitário, quando se fala numa Europa a duas velocidades na cooperação financeira.
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, cancelou a participação no retiro devido à situação de calamidade em Portugal, pelo que será representado na ocasião pelo homólogo grego, Kyriakos Mitsotakis, que é da mesma família política (Partido Popular Europeu) e da mesma região (Europa do sul).
No encontro informal, António Costa promoveu debates entre os restantes 26 líderes europeus sobre como reforçar o mercado único, reduzir as dependências económicas e aumentar a competitividade da UE, num novo contexto geoeconómico em constante mudança.
A ideia é combater a falta de investimento e de inovação na UE, diversificar o fornecimento energético para obter preços mais baixos e reforçar a resiliência e segurança económicas, principalmente face à China e aos Estados Unidos.
Em causa estão reformas nacionais, mas também europeias, ao nível da simplificação administrativa (para gerar poupanças de 15 mil milhões de euros por ano), da remoção de barreiras no mercado único (com as barreiras internas a equivaleram a uma tarifa de 45% sobre bens e 110% sobre serviços), da aposta na inovação e da atração do investimento.
A UE é o maior bloco comercial do mundo em termos combinados de bens e serviços. Em 2024, representou uma fatia de 15,8% do comércio mundial.
O castelo de Alden Biesen está localizado no município de Bilzen, província de Limburgo, na região de Flandres.