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Madeira

“Estamos fartos de ver a religião subjugada”

Neste ‘Canal Memória’, revisitamos a entrevista do padre Martins Júnior publicada a 12 de Fevereiro de 2023

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Foto Helder Santos/Aspress

Há três anos, o DIÁRIO publicava uma entrevista marcante ao padre José Martins Júnior. Hoje, relê-la é também recordar que a Madeira se despediu dele no ano passado, numa homenagem popular rara, feita de cravos vermelhos, música e poesia — à imagem da vida intensa que protagonizou.

Nascido em Machico, em 1938, e ordenado em 1962, assumiu, em 1969 a paróquia da Ribeira Seca, onde desenvolveu um trabalho social profundamente ligado às populações mais vulneráveis. Combateu a pobreza, incentivou a educação e transformou a paróquia num espaço de mobilização cívica e cultural. A sua proximidade ao povo tornou-o carismático — e controverso. A postura ideológica, próxima do marxismo e crítica da estrutura hierárquica da Igreja, levou à sua suspensão a divinis durante 42 anos.

Na edição de 12 de Fevereiro de 2023 - pela altura em que deixou de ser responsável pela paróquia da Ribeira Seca - o sacerdote falava sem reservas sobre fé, poder e consciência crítica.

Confessava ter-se sentido “igual aos bárbaros da Igreja Ortodoxa” quando esteve na Guerra do Ultramar como capelão.

Perante determinadas posições institucionais deixava também um desabafo: “Estamos fartos de ver a religião subjugada”.

Martins Júnior — que faleceu a 12 de Junho de 2025, aos 86 anos — recordava ainda como encontrou na Ribeira Seca “uma segunda África”.

Descarregue aqui a edição impressa do DIÁRIO de 12 de Fevereiro de 2023 e (re)leia, na íntegra, esta entrevista: