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Marcelo condecora Lídia Jorge e elogia-a também por afirmar "lugar do escritor enquanto cidadão"

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Foto MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

O Presidente da República condecorou hoje Lídia Jorge com a grã-cruz da Ordem de Sant'Iago da Espada, depois de lhe entregar o Prémio Pessoa 2025, e elogiou-a também por afirmar o "lugar do escritor enquanto cidadão".

Por sua vez, após receber o Prémio Pessoa e a condecoração atribuída pelo Presidente da República, numa cerimónia na Culturgest, em Lisboa, Lídia Jorge dirigiu-se a Marcelo Rebelo de Sousa para lhe agradecer a sua presença e as suas palavras.

"Pelo meu lado, se o admirava à distância, os últimos anos fizeram com que o pudesse admirar na proximidade. Chamam-lhe o Presidente dos afetos, mas é pouco. O senhor foi e continua a ser o Presidente que soube explicar a engrenagem da democracia ao povo, e soube explicar também ao povo o valor cultura", disse a escritora, considerando que "esse é um legado extraordinário".

O Presidente da República, que discursou antes, salientou o "envolvimento mais direto" de Lídia Jorge "com a realidade política e social portuguesa", a seu convite, como conselheira de Estado e nas últimas comemorações do 10 de Junho.

"O que quero assinalar não é que Lídia Jorge tenha assumido nestes anos essa posição atenta e interventiva, mas que a sua atenção e intervenção foram reconhecidas pelo Presidente", declarou.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, "é justo dizer que o seu discurso público do 10 de junho, em Lagos, e as intervenções mais restritas no Conselho de Estado", nos últimos anos, alargaram a "perceção quanto à sua figura e ao seu empenhamento, extravasando muito o público que acompanha a ficção portuguesa".

"Boa parte do que se diz hoje acerca de Lídia Jorge tem a ver com o prolongamento e diversificação do seu projeto literário. Mas com Lídia Jorge assistimos, sobretudo, a uma reiteração e densificação -- infelizmente sem continuidade evidente nas gerações posteriores -- do lugar do escritor enquanto enquanto cidadão, enquanto alguém que se preocupa e nos diz: preocupem-se", acrescentou.

O Presidente da República considerou que "o seu desassossego, que é antes de tudo com a palavra, a frase, o parágrafo, a estrutura, se inscreve também na linhagem do escritor como consciência nacional" ou "consciência social" do tempo presente.

"Inquietação, boa vontade, humanismo, consciência são inseparáveis dos seus livros. Como é inseparável a ideia, que como Presidente procurei não esquecer, de que a História de Portugal é complexa, é discutível, tem glórias e tem traumas e não pode ser convocada a benefício de inventário, mas como um todo", prosseguiu.

O chefe de Estado descreveu Portugal como "um país feito de diversas comunidades residentes expatriadas, de emigrantes e de imigrantes", com "muitas histórias por contar e por resgatar", entre as quais "a da diversidade e igualdade de todos os portugueses e de todas as pessoas, contra os revivalismos de má memória e o divisionismo que os portugueses têm sabido tão sensata e tranquilamente rejeitar". 

"Agradeço a Lídia Jorge, como leitor, os seus livros. Agradeço a Lídia Jorge, como Presidente da República, o seu serviço a Portugal e aos portugueses. E, na linha de uma tradição aberta aqui na entrega deste prémio, uma vez completada essa entrega, entregarei, em nome dos portugueses, a Lídia Jorge, a grã-cruz da Ordem de Sant'Iago da Espada, que significa o máximo reconhecimento daquilo que lhe devemos em prol da cultura portuguesa", anunciou. 

A Ordem de Sant'Iago da Espada destina-se a distinguir o mérito literário, científico e artístico.

O Prémio Pessoa é uma iniciativa do jornal Expresso, com o patrocínio da Caixa Geral de Depósitos, atribuído anualmente a uma personalidade nacional que se tenha destacado nas áreas cultural, literária, científica, artística ou jurídica.

No início da sua intervenção, o chefe de Estado lembrou Francisco Pinto Balsemão, antigo primeiro-ministro e presidente do grupo Impresa, que morreu em outubro do ano passado, referindo que este prémio "foi uma ideia sua e um projeto seu".