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Madeira

Albuquerque fala num sector do Bordado Madeira “em profunda mudança”

Presidente do Governo Regional visitou, esta manhã, a loja de bordados Lino & Araújo, que assinala 100 anos de existência

Presidente do Governo Regional destaca apoio do seu Executivo ao sector, nomeadamente o prémio às bordadeiras. 
Presidente do Governo Regional destaca apoio do seu Executivo ao sector, nomeadamente o prémio às bordadeiras. , Foto ML

Foi no âmbito da visita à loja de bordados Lino & Araújo, que assinala os 100 anos de existência, que o presidente do Governo Regional abordou a realidade do sector do Bordado Madeira. Miguel Albuquerque lembrou a concorrência dos produtos vindos da China e não escondeu os altos e baixos por que tem passado um produto manufacturado que já conheceu melhores dias. 

Ainda assim, mostra alguma esperança na continuidade desta arte, que, como notou, tem merecido uma atenção especial por parte do seu Executivo. "Neste momento o Bordado Madeira está, para além do bordado tradicional, que é um produto luxo e não acessível a toda a gente, está a ter uma reconversão através de novos designers e novas peças que são feitas para incorporar em novos padrões, novas formas de apresentar o bordado", referiu, dando como exemplo o trabalho desenvolvido por alguns estilistas regionais. "Por isso é que o bordado está a ter uma grande transformação e vai continuar a ter nos próximos anos", afiançou. 

Confrontado com a diminuição no número de bordadeiras que se dedica a esta indústria, Miguel Albuquerque destacou o apoio dado pelo Governo Regional a 700 bordadeiras, através de um prémio anual, entendido como um incentivo para a continuidade desta actividade. 

Quem também evidencia o esforço que tem sido necessário para manter a porta aberta é João Abreu, proprietário da casa de bordados Lino & Araújo, instituída em 1926.

Cem anos depois de ter sido criada, esta empresa familiar, fabricante e exportadora de Bordado Madeira, conta com três espaços de venda, todos no Funchal. As vendas para o continente português e para Itália representam cerca de 20% do negócio, pelo que, o seu proprietário reconhece a importância da venda local, tanto a estrangeiros e visitantes, como aos próprios madeirenses. Reconhece, contudo, que a "época de ouro" do Bordado Madeira coincidiu com a exportação para o Brasil. 

"O cliente do Bordado Madeira prefere o clássico", atesta o empresário, que na definição daqueles que procuram este produto fala em pessoas "com gosto e com dinheiro". "Quem compra bordados tem gosto pelo bordado", nota, reconhecendo que a procura maior é por artigos de mesa e atoalhados, tanto na venda local, como para exportação, que já foi em maior número. 

Embora reconheça uma adequação do negócio à realidade actual, João Abreu mostra-se um tanto reticente à "modernização". "Essa palavra 'modernização', isso depende. Por exemplo, um artigo de mesa raramente muda", evidencia.