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Cuidar no presente, prevenir o futuro

Todos os meses têm cores e efemérides dedicadas à promoção da saúde e à prevenção da doença, de janeiro branco a dezembro vermelho, o objetivo é alertar o cidadão para os cuidados a ter com a sua saúde. Contudo, a saúde não cabe num calendário temático, iluminar fachadas e partilhar laços perde relevância se a literacia em saúde e o acesso aos cuidados de saúde não forem melhorados e sistematizados.

Novembro afirma-se assim como um período de profunda reflexão e apelo à ação onde comemorações cruzam-se com conhecimentos e experiências naquilo que constitui o núcleo da intervenção em saúde, a proximidade, a capacitação individual e a urgência de uma prevenção efetiva ao longo de todo o ciclo vital. O combate à doença não se vence apenas no bloco operatório ou no internamento, mas sim na comunidade e na mudança de comportamento, em síntese na prevenção.

O movimento «Novembro Azul» convoca-nos a encarar a saúde masculina sem tabus, porque historicamente, os homens procuram menos os serviços de saúde, adiam consultas de rotina e desvalorizam sinais de alerta por razões culturais e preconceitos enraizados.

Em Portugal relativamente ao cancro da próstata, a neoplasia mais frequente no homem, a precocidade do diagnóstico surge como fator determinante entre um tratamento curativo com qualidade de vida e um cenário clínico de elevada complexidade. É fundamental superar a hesitação inicial, recorrer à vigilância médica e ao diálogo com os profissionais de saúde, participar nos rastreios recomendados, especialmente em casos de histórico familiar. Esta atitude não é sinal de fragilidade, mas sim de responsabilidade.

Por outro lado, a 14 de novembro assinala-se o Dia Mundial da Diabetes, uma das maiores pandemias não transmissíveis do nosso tempo. Os números são expressivos e preocupantes, mas importa destacar o sofrimento humano associado às complicações evitáveis da doença, as amputações, perda de visão, insuficiência renal e eventos cardiovasculares, com incomensurável impacto laboral, social e familiar. A diabetes representa um fardo social e económico avassalador para o sistema de saúde e para o orçamento familiar. Perante este flagelo é necessário reforçar a literacia em saúde, dotar cada cidadão das competências práticas para interpretar rótulos alimentares, combater o sedentarismo e concretizar estilos de vida saudáveis.

O dia 20 de novembro assinala o Dia Universal dos Direitos da Criança, garantir o direito que todas as crianças tenham um desenvolvimento saudável exige reconhecer que a prevenção das doenças crónicas do adulto começam na infância, a diabetes tipo 2 e a obesidade pediátrica deixaram de ser eventos raros para se tornarem realidades alarmantes no nosso quotidiano. Os hábitos adquiridos nos primeiros anos de vida são alicerces biológicos fundamentais para a prevenção e o retardar das doenças crónicas nas décadas seguintes.

Neste domínio os enfermeiros pela natureza das suas intervenções desempenham uma missão clara, na infância, na consulta de saúde infantil, na orientação dos progenitores e na saúde escolar ao capacitar os mais jovens, e a descodificar a autovigilância. Que as campanhas do corrente mês não fiquem confinadas a símbolos ou a declarações de intenções, mas que novembro seja um convite a olhar para o percurso da vida humana como um todo contínuo.