Receitas da OpenAI caem 28% em Setembro para quase 50 mil milhões de euros
A OpenAI informou os investidores de que a receita rondava os 50.000 milhões de dólares (44.700 milhões de euros) no final de setembro, quase 20.000 milhões menos do que o divulgado anteriormente, segundo o Financial Times (FT).
O jornal, que consultou documentos financeiros partilhados com os investidores da empresa, explica que as estimativas para a receita atualizada feita por diversos órgãos de informação rondavam os 70.000 milhões de dólares (62.580 milhões de euros) no final do mês passado.
A receita anualizada expressa quanto uma empresa faturaria em 12 meses se mantivesse o ritmo de receita utilizado como referência, não sendo necessariamente equivalente às vendas efetivamente realizadas durante um exercício fiscal.
Esta métrica é um dos principais indicadores utilizados para avaliar a procura por inteligência artificial (IA) e comparar a evolução da OpenAI, criadora do ChatGPT, com a da sua mais direta concorrente, a Anthropic.
A discrepância decorre das tentativas dos investidores de comparar diretamente os números de ambas as empresas, segundo uma fonte do setor citada pelo jornal.
A Anthropic inclui no seu cálculo as receitas de vendas realizadas por parceiros de serviços em nuvem, como a Amazon Web Services (AWS) e a Google Cloud, enquanto a OpenAI não as incorpora.
Os ajustes feitos pelos investidores para expressar a receita da OpenAI em termos brutos levaram a informações que situavam a faturação anual da empresa em cerca de 40.000 milhões de dólares (35.760 milhões de euros) em julho.
Posteriormente, a empresa informou que esse valor havia crescido mais de 70% desde aquele mês, o que resultou na publicação de uma estimativa de cerca de 70.000 milhões no final de setembro.
A OpenAI não contestou, na altura, esse valor, refere o jornal, acrescentando que a empresa --- que não tem obrigação de divulgar periodicamente suas contas --- recusou comentar a informação.
A OpenAI está a negociar uma nova ronda de financiamento que poderá avaliar a empresa em cerca de 1,4 biliões de dólares e comprometeu centenas de milhar de milhões em capacidade de computação e infraestrutura, financiadas pelas receitas das suas ferramentas e de investimentos dos seus parceiros. Entre os apoiantes estão a Nvidia, a Microsoft e a Amazon.
Em junho, a empresa apresentou de forma confidencial a documentação para uma oferta pública inicial (IPO) e esperava-se a sua estreia em bolsa este mês. No entanto, adiou os planos perante a crescente preocupação com os riscos associados aos sistemas de IA mais potentes.