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Estabelecimentos comerciais junto ao parlamento encerram hoje mais cedo devido a manifestação

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Foto RITA FRANÇA/LUSA/Arquivo

Os estabelecimentos comerciais junto à Assembleia da República, em Lisboa, vão encerrar hoje mais cedo, por "razões preventivas", devido à realização de uma manifestação pela habitação, a partir das 18:30, disse à agência Lusa fonte da PSP.

"Trata-se de uma ação coordenada entre a PSP e a Câmara Municipal de Lisboa e é uma questão preventiva para evitar o consumo de álcool ou o uso de objetos contundentes. No fundo, garantir e assegurar o normal desenvolvimento da manifestação", justificou à Lusa o porta-voz da PSP, Sérgio Soares.

O contacto com os comerciantes está a ser feito pela Polícia Municipal de Lisboa.

Em causa está a realização de uma manifestação organizada pela "plataforma Casa Para Viver", a partir das 18:30, junto à Assembleia da República, em protesto pela "violência policial" contra as acampadas pela habitação de Lisboa e do Porto, na madrugada de domingo.

A manifestação, que contará com participantes da Acampada de Lisboa, que se tem concentrado no Rossio, ocorre no dia em que começou no parlamento a discussão na generalidade da proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2027 (OE2027).

Durante a madrugada de domingo, a PSP dispersou, à bastonada e com recurso a cães, as manifestações pelo direito à habitação em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens para que as pessoas saíssem e as tendas fossem retiradas.

Os manifestantes não acataram as ordens, invocando o direito constitucional à manifestação.

Segundo a PSP, registaram-se, no total, 33 feridos e 33 detidos por desobediência. Em comunicado, as organizações das acampadas referiam dezenas de feridos.

A Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) abriu um processo na sequência das intervenções policiais que aconteceram na madrugada de domingo em Lisboa e no Porto. Também a provedora de Justiça pediu à PSP, com caráter de urgência, informações sobre a carga policial na madrugada de domingo sobre os manifestantes.

Os partidos de esquerda criticaram a intervenção policial e pediram esclarecimentos ao primeiro-ministro e a intervenção do Presidente da República, António José Seguro.

O chefe de Estado apelou hoje ao diálogo sobre a habitação "e nunca à violência", afirmando que não gostou das imagens que viu, mas que aguarda o resultado dos inquéritos sobre a atuação policial sobre manifestantes.

Os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos "verdadeiramente acessíveis" à renda.