Acampada de Lisboa vai montar tendas em frente à AR após discussão do OE2027
A assembleia popular da Acampada de Lisboa decidiu hoje montar tendas frente à Assembleia da República na terça-feira à noite, após o protesto contra o Orçamento do Estado para 2027, ficando em aberto a proposta de pernoitar no local.
A proposta discutida no final da assembleia popular, que decorreu a partir das 19:30 na Praça Dom Pedro IV, em Lisboa, previa inicialmente a realização de uma acampada em frente à Assembleia da República de terça-feira para quarta-feira, antecipando a votação na generalidade do OE2027.
No entanto, a votação não foi consensual, com vários participantes a manifestarem-se preocupados com a possível resposta das forças de segurança, enquanto outros sublinharam a necessidade de pressionar os grupos parlamentares para travar a proposta do Governo.
Perante a falta de consenso, a organização propôs, em alternativa, apelar a que as pessoas que vão participar na manifestação convocada pela plataforma Casa para Viver - e que vai decorrer na terça-feira a partir das 18:30 em frente à Assembleia da República - levem tendas e as montem no local após o protesto.
A proposta foi aprovada, com uma maioria de abstenções e cerca de 90 votos favoráveis, ficando em aberto a possibilidade de pernoitar no local, hipótese que será discutida na assembleia popular de terça-feira, que se seguirá à manifestação contra o OE2027.
A Acampada de Lisboa regressa ao Rossio na quarta-feira, para as habituais assembleias populares ao final do dia.
Na assembleia popular desta noite, os participantes deixaram ainda um apelo à Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública para que participe numa greve ibérica em novembro.
Para hoje à noite não está prevista mais nenhuma iniciativa no Rossio e, pelas 22:00, os participantes na assembleia popular estavam a começar a desmobilizar.
A manifestação organizada pela plataforma Casa para Viver para terça-feira foi convocada para exigir o "fim imediato da repressão sobre quem luta pelo direito à habitação".
A Casa para Viver quer ainda o "apuramento de responsabilidades pela carga policial" que ocorreu nas acampadas de Lisboa e do Porto, que causaram dezenas de feridos.
A plataforma exige também um "orçamento democrático", que dê o "dinheiro justo para resolver o problema da habitação em vez de cortar as verbas do setor".
Na madrugada de domingo, a PSP dispersou, à bastonada e com recurso a cães, as manifestações em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens para que as pessoas saíssem e as tendas fossem retiradas.
Os manifestantes não acataram as ordens, invocando o direito constitucional à manifestação, e a PSP interveio.
Segundo a PSP, registaram-se, no total, 33 feridos e 33 detidos por desobediência, nas duas cidades. Em comunicado, as organizações das acampadas referiam dezenas de feridos.
Os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos "verdadeiramente acessíveis" à renda.
Os partidos de esquerda criticaram a carga policial, pediram esclarecimentos ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, e a intervenção do Presidente da República, António José Seguro.
À direita, o Chega defendeu a intervenção da polícia, sustentando que "o Estado se não podia acobardar", e voltou a criticar o silêncio do primeiro-ministro, acusando-o de se esconder, enquanto a Iniciativa Liberal considerou que a resposta ao "falhanço nas políticas públicas de habitação" não pode passar pelo uso de "força repressiva sob a forma de cassetete".
O PSD, partido do Governo, também defendeu a atuação policial.