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Aprovada proposta para montar novamente tendas em Lisboa esta noite

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Foto MIGUEL A. LOPES/LUSA

Quase duas centenas de pessoas votaram hoje a favor da proposta para voltar a pernoitar esta noite em tendas na praça do Rossio, em Lisboa, que irão ser montadas no final da assembleia popular que ainda decorria pelas 21:30.

A proposta colocada a votos na assembleia popular que decorre na Praça D. Pedro IV desde as 19:30 teve 190 votos a favor e 270 abstenções.

Entretanto, a organização pediu para que os manifestantes fiquem em roda no final da assembleia para permitir a montagem das tendas.

Já esta noite, numa primeira votação, cerca de 80 pessoas tinham aprovado a realização de um novo acampamento esta noite no Rossio, mas a organização levantou dúvidas sobre se estariam reunidas condições de segurança.

Hoje de manhã, o ministro da Administração Interna, Luís Neves, afirmou que a PSP vai atuar "por antecipação" nas manifestações pela habitação, salientando que nenhum membro do Governo fica satisfeito com qualquer ato de violência.

Perante a insistência dos jornalistas sobre como é que a PSP vai atuar nos próximos dias perante as concentrações em várias cidades do país em defesa de habitação para todos e a preços justos e dignos, Luís Neves insistiu que foi "muito claro" e que agir por antecipação é não deixar crescer.

O ministro esclareceu ainda que quando disse que "acabaram as acampadas" era no sentido de que a lei é para cumprir, insistindo que manifestar-se é um direito legítimo, constitucional e livre, mas tem de ser no cumprimento da lei.

Entre manifestações e as denominadas acampadas, com centenas ou milhares de manifestantes, os atuais protestos contra a crise na habitação tiveram início no Porto a 10 de outubro e expandiram-se a Lisboa, mas já motivaram também concentrações noutras cidades, dias depois da aprovação parlamentar da nova lei do arrendamento, agora em discussão na especialidade.

As iniciativas, promovidas por movimentos cívicos e difundidas pelas redes sociais, reivindicam medidas que respondam à crise no setor, o controlo dos preços dos bens essenciais e dos combustíveis e defendem impostos sobre os lucros extraordinários das grandes empresas do setor bancário.

A 15 de outubro, o movimento que protestava no Porto, com uma acampada, denunciou uma carga policial violenta durante a madrugada que causou ferimentos em 39 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave, e em um polícia. Em Lisboa, as autoridades removeram dezenas de tendas do Rossio ao início da manhã de terça-feira e detiveram 55 manifestantes, que serão presentes a juiz dia 27.

Os promotores dos protestos prometem continuar nas ruas.