O desgaste do turismo
Os efeitos nefastos do excesso de turismo já atingiram proporções insuportáveis, não só na Europa como também no resto do Mundo. Basta olhar para as medidas que estão a ser tomadas, ou em vias de implementação em países e cidades à volta do planeta para percebermos que o desgaste é um facto e que as populações indígenas já não suportam as consequências negativas do excesso de turismo. A verdade é que os benefícios económicos desta indústria não justificam o impacto negativo sobre a natureza, o gritante aumento do custo de vida e a inflação dos preços no sector imobiliário que tamanha afluência acarreta.
Se dúvidas existem sobre este assunto, leia-se o que se está a passar em Espanha, em Itália, em Veneza, no Japão na China, nos Países Baixos, em Myanmar, na Tailândia, em Singapura, no Peru, na Grécia (Santorini), na Islândia, na Croácia e na Nova Zelândia, por exemplo.
Em Barcelona - onde ataques a turistas começam a ser frequentes - pondera-se a hipótese de fechar a cidade ao turismo e, neste momento, medidas estão a ser tomadas para diminuir o afluxo de cruzeiros. Em Itália as autoridades estão a rever a política do turismo e planeiam limitar a entrada diária de turistas no país e o acesso dos mesmos a atracções turísticas e culturais.
Veneza tem aproximadamente 50.000 habitantes e quase 30 milhões de turistas por ano. O risco de afundar paira sobre a cidade desde há séculos. Se o enorme impacto turístico não for travado, as autoridades ver-se-ão obrigadas a fechar a cidade permanentemente.
Nas vizinhas Canárias os protestos e ataques a turistas acontecem regularmente.
Na Madeira estas preocupações parecem não existir. Fala-se em benefícios económicos - que a pobreza de 51.000 habitantes desmente -, em campos de golfe para aumentar a procura e em arranha-céus para resolver o problema da habitação. Não estará chegada a altura de os madeirenses acordarem?
Asdrúbal J. C. Vieira