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A Guerra Mundo

Cinco potências europeias prometem reforçar defesa e apoio a Kiev

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Foto EPA

As cinco principais potências militares europeias da NATO comprometeram-se hoje a assumir maiores responsabilidades na defesa do continente, mantendo o apoio à Ucrânia e denunciando ataques híbridos atribuídos à Rússia.

Os ministros da Defesa de França, Alemanha, Itália, Polónia e Reino Unido, reunidos em Paris, defenderam o reforço do papel europeu na Aliança Atlântica, sublinhando, contudo, que os Estados Unidos continuam a ser um aliado indispensável.

"Nós, ministros da Defesa de França, Alemanha, Itália, Polónia e Reino Unido, partilhamos uma convicção profunda: a Europa deve assumir uma maior responsabilidade pela sua própria segurança", afirmaram numa declaração conjunta.

Os responsáveis do Grupo dos Cinco (E5) garantiram que pretendem concretizar este objetivo em estreita coordenação com Washington e os restantes aliados da NATO.

"Esta responsabilidade acrescida deve começar pelo reforço do papel dos aliados europeus no seio da NATO", acrescentaram, reafirmando que os Estados Unidos "são e continuarão a ser um aliado indispensável".

A próxima reunião do grupo terá lugar em março de 2027, em Roma.

A ministra francesa da Defesa, Catherine Vautrin, que presidiu à oitava reunião do E5, anunciou que os cinco países decidiram trabalhar segundo um calendário e uma metodologia definidos para assegurar uma repartição mais equilibrada das responsabilidades militares.

"Decidimos trabalhar em conjunto, de forma concreta, para alcançar este objetivo, segundo um método preciso e um calendário definido, e com total transparência com os Estados Unidos relativamente à partilha dos encargos que devemos assumir", declarou Vautrin.

O vice-ministro polaco da Defesa, Pawel Zalewski, que representou Varsóvia no encontro, reconheceu que Washington pretende reduzir a sua contribuição para a defesa europeia, defendendo que a transição seja cuidadosamente coordenada.

"Estamos conscientes de que o pilar europeu da defesa tem de ser reforçado", afirmou Zalewski que insistiu na necessidade de evitar falhas nas capacidades militares e de dissuasão da NATO durante o processo de transferência de responsabilidades.

O responsável manifestou confiança na possibilidade de alcançar um entendimento entre norte-americanos, europeus e canadianos que permita assegurar uma transição organizada.

Os ministros reafirmaram também a continuidade do apoio militar à Ucrânia, apesar das divergências transatlânticas sobre a repartição dos encargos da defesa.

O ministro alemão da Defesa, Boris Pistorius, acusou Moscovo de tentar enfraquecer a confiança dos cidadãos nas instituições democráticas e destruir a coesão entre os países europeus através de ataques híbridos.

Segundo Pistorius, o Presidente russo, Vladimir Putin, pretende gerar medo nas sociedades europeias, mas a resposta deve assentar na serenidade e, sobretudo, na determinação.

O ministro britânico da Defesa, Wes Streeting, afirmou que a Rússia representa "a maior ameaça que enfrentámos na Europa desde o fim da Guerra Fria".

Segundo Streeting, a estratégia russa acabou, contudo, por produzir o efeito contrário, reforçando a determinação dos aliados.

O ministro anunciou ainda que o Governo britânico apresentará esta semana um aumento significativo das despesas militares, com o objetivo de atingir 2,7% do produto interno bruto (PIB) em defesa.

A situação na Ucrânia esteve no centro das discussões, incluindo as recentes limitações ao funcionamento do sistema de comunicações por satélite Starlink, utilizado pelas forças ucranianas.

Na reunião participaram também a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, o comissário europeu da Defesa, Andrius Kubilius, e a secretária-geral adjunta da NATO.

Kallas apelou à modernização das forças armadas e das capacidades militares europeias, defendendo a construção de "uma Europa mais forte no seio de uma NATO reforçada".