Lula reeleito para quarto mandato como Presidente do Brasil
Luiz Inácio Lula da Silva foi hoje reeleito na segunda volta das eleições presidenciais do Brasil, com 51,75% dos votos, para o quarto mandato como chefe de Estado, e fez história como o primeiro candidato a vencer depois de ter perdido na primeira volta.
Lula da Silva conseguiu 63.388.523 votos, contra os 59.099.143 de Flávio Bolsonaro, quando estão contabilizadas 98,76% das secções de voto.
O líder do Partido dos Trabalhadores (PT), de esquerda, e antigo sindicalista, é reeleito aos 80 anos, tendo conseguido inverter a desvantagem da primeira volta de mais de dois milhões de votos.
Na primeira volta, em 04 de outubro, o candidato da direita, Flávio Bolsonaro, obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula da Silva, uma vantagem de 2.224.965 votos, sendo que, desde a introdução do sistema de duas voltas nas presidenciais brasileiras, em 1989, nenhum candidato que terminou a primeira votação em segundo lugar conseguiu vencer a eleição.
Logo após a derrota na primeira volta, uma mobilização sem precedentes, impulsionada pelos estudantes, alastrou a vários setores da sociedade e encheu as ruas de cidades por todo o Brasil em apoio à reeleição de Lula da Silva.
No último dia de campanha, Lula levou a esperança na reviravolta da beira-mar ao coração de São Paulo, enchendo de vermelho a Avenida Atlântica, em Copacabana, e a Avenida Paulista. Segundo estimativas do PT, sem verificação independente, as duas marchas reuniram, respetivamente, 1,15 milhões e mais de dois milhões de pessoas, num último impulso das ruas para as urnas.
Hoje, antes de votar numa escola de São Bernardo do Campo, no estado de São Paulo, seu berço político, Lula reconheceu essa mobilização: "O que o povo fez comigo nesses dias é uma coisa que não tem como pagar, é muita generosidade, é muito carinho, é muito amor e eu serei eternamente grato ao comportamento do povo", disse.
A campanha de Lula da Silva na segunda volta foi marcada por uma forte mobilização nas redes sociais, ruas, manifestações convocadas por artistas e iniciativas de estudantes e movimentos sociais para conquistar votos e combater a abstenção.
Depois da desvantagem na primeira volta, apostou na defesa da democracia e do seu legado social, intensificou os ataques ao adversário e anunciou medidas económicas e laborais para procurar inverter o resultado.
Flávio Bolsonaro combinou manifestações de força nas ruas, com uma aposta nas redes sociais, mobilizando influenciadores digitais e figuras como o deputado Nikolas Ferreira para ampliar o alcance da campanha.
Conseguiu ainda o apoio de candidatos derrotados na primeira volta, como Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Augusto Cury, que somaram 5,34% dos votos válidos, além do antigo Presidente Michel Temer e dos principais partidos de centro do país.
A disputa estendeu-se às plataformas digitais, com a campanha de Lula a acusar a Meta, proprietária do Facebook, Instagram e WhatsApp, de favorecer Flávio Bolsonaro e a recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral para exigir tratamento igual entre as candidaturas, denunciando restrições de contas, remoção de conteúdos e falhas nas ferramentas de inteligência artificial.
Mais de 158,7 milhões de eleitores estavam inscritos para votar hoje nas cerca de 564.000 urnas eletrónicas espalhadas por 5.571 cidades do país, além de 186 cidades no exterior, como Lisboa, Porto e Faro.