A oposição que o Porto Santo merece!!!
A democracia precisa de oposição. Sempre o defendi e continuarei a defender.
Uma oposição responsável fiscaliza, questiona, apresenta ideias e contribui para melhorar as decisões de quem governa. Não espero que concordem sempre comigo, mas há uma diferença entre fazer oposição e estar contra tudo.
Ser oposição não é estar contra tudo. É identificar o que está mal, apresentar alternativas e contribuir para encontrar soluções.
Quando assumi a presidência da Câmara Municipal do Porto Santo, comprometi-me a trabalhar pela nossa terra, defender os porto-santenses e colocar as pessoas no centro das decisões. É isso que procuro fazer todos os dias, com trabalho, proximidade e determinação.
Reconheço à oposição toda a legitimidade para fiscalizar, questionar investimentos e exigir transparência. O que não considero aceitável é que a discussão política se sobreponha ao interesse das pessoas.
Há situações que me deixam particularmente triste enquanto Presidente da Câmara e, acima de tudo, enquanto porto-santense.
Quando ouço repetidamente um eleito que é simultaneamente membro da Assembleia Municipal do Porto Santo e da Assembleia Legislativa da Madeira manifestar-se contra um apoio a uma escola por ser particular, como o apoio municipal à criação de um novo parque infantil, questiono-me sobre o caminho que estamos a seguir.
Uma escola ser particular não significa que os seus alunos sejam menos merecedores de apoio. E um parque infantil não é um investimento de um partido, é um espaço para as nossas crianças e famílias.
Quando apoiamos a educação, investimos nos nossos jovens. Quando melhoramos os espaços de lazer, investimos na qualidade de vida da população.
Se existem dúvidas sobre os apoios, discutam-se os critérios. Se existem dúvidas sobre os custos, analisem-se os números. Se há soluções melhores, apresentem-se.
O que considero triste é que se discuta uma medida em função de quem a propõe, em vez de se avaliar o benefício que traz à população.
As nossas crianças não têm cor partidária. As famílias não devem ser prejudicadas pelas nossas diferenças políticas.
Enquanto Presidente, continuarei a defender as medidas que considero importantes para o Porto Santo, explicando as decisões e prestando contas, mas sem deixar de procurar soluções para os problemas da nossa comunidade.
Outra situação que merece reflexão é a forma como são tratados os eventos promovidos pelos nossos clubes e associações locais.
Estas instituições mobilizam pessoas, envolvem voluntários, criam oportunidades para os jovens e dinamizam a vida desportiva, social e económica da ilha. Fazem-no, muitas vezes, com recursos limitados e graças à dedicação de dirigentes, atletas e famílias que merecem respeito.
Por isso, custa-me assistir a críticas e queixas contra iniciativas que mobilizam tantas pessoas e dão vida à nossa ilha, para depois ver os mesmos protagonistas questionarem nas redes sociais se a Câmara apoia os clubes e as associações locais.
Não podemos, por um lado, criticar o trabalho dos nossos clubes e, por outro, acusar o Município de não os apoiar.
Se há dúvidas sobre os apoios, discutam-se os critérios, os valores e a transparência. Se os eventos podem ser melhorados, apresentem-se propostas. O que não podemos é desvalorizar quem tanto faz pelo Porto Santo.
Os clubes e as associações não pertencem ao Presidente da Câmara, à oposição ou a qualquer partido. Pertencem à nossa comunidade e fazem parte da identidade da ilha.
Uma oposição responsável deve fortalecer o associativismo, não transformar cada iniciativa numa oportunidade para criar polémica.
Digo-o com toda a frontalidade, isto não é oposição construtiva. Quando se desvaloriza o trabalho dos outros e se criam obstáculos apenas para retirar dividendos políticos, isto é maldade.
O Porto Santo não ganha nada com uma política de bloqueio. Ganha com responsabilidade, diálogo e vontade de resolver.
Os problemas da nossa ilha não são do PSD, do PS ou de qualquer movimento independente. São problemas dos porto-santenses. E as boas soluções devem merecer a colaboração de todos.
A habitação, a saúde, a educação, os transportes, o apoio aos idosos, as oportunidades para os jovens e o associativismo não podem ser armas de arremesso político. São prioridades que exigem trabalho e responsabilidade.
Não me revejo numa política centrada no ruído, na desconfiança permanente ou no conflito pelo conflito. Acredito na proximidade, no compromisso e na concretização.
Não estou na Câmara para agradar a todos. Estou para trabalhar por todos.
Sei que haverá críticas e decisões que não serão consensuais. Faz parte da democracia. Mas os porto-santenses não nos elegeram para passarmos o mandato a discutir uns com os outros. Elegeram-nos para resolver problemas, melhorar a qualidade de vida e preparar o futuro da nossa ilha.
Quero uma oposição exigente, atenta e responsável. Que fiscalize, mas também apresente alternativas. Que questione, mas reconheça quando uma medida beneficia a população. Que perceba que o seu papel não termina na crítica, também passa por contribuir para o desenvolvimento da nossa terra.
Da minha parte, continuarei a trabalhar com determinação e a procurar o diálogo com todas as forças políticas sempre que isso contribua para o bem comum.
Não espero unanimidade. Espero responsabilidade.
Não exijo concordância. Exijo que nunca nos esqueçamos de quem representamos.
No final, os porto-santenses avaliarão os seus eleitos não apenas pelas críticas e intervenções, mas também pelo contributo de cada um para melhorar a vida da nossa comunidade.
A oposição que o Porto Santo merece é aquela que fiscaliza sem bloquear, que critica sem destruir e que discorda sem colocar os interesses partidários à frente dos interesses da população.
As diferenças políticas fazem parte da democracia. Mas o futuro do Porto Santo deve ser um compromisso de todos.
As pessoas primeiro! Sempre!