Conferência ECOS Machico debateu papel da tecnologia e da IA na gestão do território
O Fórum Machico acolheu, no dia 16 de Outubro, a 4.ª edição da Conferência ECOS Machico, uma iniciativa promovida pela Câmara Municipal de Machico e pela Associação Insular de Geografia (AIG), dedicada ao tema 'A Tecnologia e a Inteligência Artificial no Território: Desafios e Oportunidades'.
Segundo nota à imprensa, o encontro reuniu especialistas e representantes institucionais para debater o contributo da tecnologia e da Inteligência Artificial para o conhecimento, a monitorização, a valorização e a gestão sustentável do território, promovendo a partilha de experiências e soluções inovadoras com aplicação à escala regional e nacional.
A sessão de abertura contou com representantes das entidades promotoras. O programa teve início com a comunicação da professora doutora Leónia Nunes, natural do Caniçal, intitulada 'Valorizar e quantificar os benefícios ambientais das árvores urbanas', centrada na importância da infraestrutura verde urbana e no contributo das árvores para a qualidade ambiental e a sustentabilidade das cidades.
Durante a sua intervenção, a investigadora sublinhou o papel das florestas urbanas no combate às alterações climáticas, destacando a sua capacidade para reduzir a temperatura nas cidades, favorecer a retenção de água, melhorar a qualidade do ar e promover o bem-estar humano. Alertou, contudo, para o facto de muitos destes benefícios serem frequentemente desvalorizados por não serem devidamente quantificados em termos económicos.
A comunicação evidenciou ainda a importância do conhecimento científico e de ferramentas de avaliação, como a aplicação MyTree, que permitem identificar e quantificar os benefícios ambientais proporcionados pelas árvores urbanas. Estes recursos contribuem para fundamentar decisões de planeamento e gestão, favorecendo a construção de territórios mais resilientes e sustentáveis.
A conferência prosseguiu com a intervenção de Ilídio Sousa, da Direcção Regional do Ordenamento do Território (DROTe), que apresentou o tema 'Tecnologia e Inteligência Artificial ao serviço do território'. A comunicação abordou o potencial destas ferramentas para melhorar o conhecimento territorial, apoiar a análise de informação e reforçar a capacidade de resposta das entidades públicas.
O orador salientou a crescente relevância dos sistemas baseados em Inteligência Artificial, nomeadamente no desenvolvimento de análises preditivas mais eficientes e na obtenção de respostas mais céleres às necessidades dos cidadãos. Destacou também a importância de disponibilizar estas soluções aos municípios e às restantes entidades públicas, sintetizando este objectivo na necessidade de «conhecer melhor, antecipar com rigor e decidir com responsabilidade».
Seguiu-se a apresentação de Nuno Serralha, do Instituto das Florestas e Conservação da Natureza (IFCN), dedicada ao tema 'A Transformação Digital na Gestão Florestal da RAM'. A intervenção incidiu sobre os desafios da gestão florestal na Madeira, entre os quais as características do terreno, o risco crescente de incêndio, os custos elevados da recolha de dados e a dificuldade em manter a informação permanentemente atualizada.
Neste contexto, foi destacada a aposta na transformação digital da gestão florestal, através de tecnologias que permitem recolher dados com maior rapidez e precisão, produzir modelos tridimensionais do terreno e da vegetação, estimar a biomassa e identificar a distribuição e a carga de combustíveis florestais. A utilização destas ferramentas mantém-se, contudo, aliada ao conhecimento técnico e à experiência dos profissionais do IFCN, considerados fundamentais para interpretar os dados e apoiar a tomada de decisões.
Por sua vez, Sergi Bermúdez i Badia, professor com agregação na Universidade da Madeira, investigador da ARDITI/NOVA LINCS e diretor do NeuroRehabLab, apresentou o projeto «NatureTwins: Gémeos Digitais para Promover um Turismo Sustentável e Restaurativo na Madeira».
A comunicação destacou o potencial dos gémeos digitais para impulsionar um modelo de turismo mais sustentável, inclusivo e acessível, recorrendo a tecnologias como o LiDAR, a fotogrametria, a modelação tridimensional e a realidade virtual. Estas soluções permitem criar representações digitais detalhadas de espaços naturais, contribuindo para a sua valorização, para a educação ambiental e para o desenvolvimento de novas experiências turísticas. Entre os locais identificados para a criação de experiências baseadas em modelos tridimensionais encontram-se a Ponta de São Lourenço, as Grutas do Cavalum e a Vereda dos Balcões.
Após as apresentações, realizou-se um momento de debate e perguntas, que permitiu aos participantes interagir com os oradores e aprofundar os temas abordados. A sessão de encerramento esteve a cargo de Paulo Santos, vereador da Câmara Municipal de Machico, que salientou a importância da iniciativa para a promoção do conhecimento, da inovação e da colaboração entre entidades, investigadores e comunidade, reforçando o compromisso com uma gestão do território informada e sustentável.
A 4.ª Conferência ECOS Machico reafirmou, assim, o compromisso da Câmara Municipal de Machico e da Associação Insular de Geografia com a promoção do conhecimento científico, a inovação e a valorização do território, incentivando o diálogo entre diferentes áreas do conhecimento e a identificação de oportunidades para um desenvolvimento local sustentável.
A iniciativa integra o trabalho desenvolvido no âmbito do ECOS Machico, projeto dedicado ao conhecimento, à monitorização e à valorização do património natural e territorial do concelho, com o objetivo de contribuir para uma gestão cada vez mais informada, responsável e sustentável de Machico.