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Madeira

Juventude JPP diz que 50 anos depois de Abril, ter casa continua a ser uma luta

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Num momento em que jovens de todo o país saem à rua para exigir mudanças nas políticas de habitação e medidas concretas para combater o aumento do custo de vida, a Juventude do Juntos Pelo Povo (JJPP) manifesta a sua solidariedade com este movimento e alerta que a Madeira enfrenta uma realidade igualmente preocupante, marcada por preços que dos mais elevados do país, rendas incomportáveis e uma grave escassez de habitação no mercado.

Em nota à imprensa, diz que "a Região não pode ficar à margem desta luta". E prossegue: "Os indicadores demonstram que o acesso à habitação é um dos maiores desafios para os jovens madeirenses, que enfrentam dificuldades crescentes para conquistar a sua independência e construir um projecto de vida na sua própria terra". 

Refere que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, falou em motivações “meramente egoísticas” e ignorou propositamente a questão central, a propósito dos protestos. “Mas será egoísmo exigir um salário que chegue ao fim do mês? Será egoísmo querer uma casa sem comprometer quase todo o rendimento? Antes de criticar quem protesta, o Governo deve explicar o que está a fazer para resolver estes problemas”, desafia o vice-presidente da Juventucde do JPP, Diogo Monteiro.

A Juventude do JPP acrescenta que sabe da existência de forças políticas que não estarão ao lado dos jovens nesta reivindicação, nem vão solidarizar-se com este movimento pela habitação.

São as mesmas forças que estão no poder e devem achar que a exigência feita por este movimento não lhes diz respeito, é aqui se vê a verdadeira liberdade de algumas forças partidárias de juventude, que em vez de ajudarem na solução preferem comprometer o futuro de todos".   Diogo Monteiro

E acrescenta: "Os números falam por si: em 2025, os preços das casas aumentaram 17,6%, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE). Na Madeira, a renda mediana dos novos contratos de arrendamento atingiu 12,78 euros por metro quadrado no segundo trimestre de 2026. Para muitos jovens, a independência financeira continua adiada, não por falta de vontade de trabalhar, mas porque os rendimentos não acompanham o custo de vida". 

Diogo Monteiro diz que “há jovens com licenciaturas e mestrados que, depois de anos a investir na sua formação, são obrigados a ponderar emigrar para conseguir aquilo que deveria ser possível no seu próprio país: ter casa, constituir família, viver com estabilidade e ter direito a pequenos momentos de lazer, mas tudo é muito difícil para esta geração de jovens". 

Esta luta não começou com a geração actual, lembra o dirigente. Em 1976, menos de dois anos depois do 25 de Abril, milhares de pessoas manifestavam-se no Porto pelo direito à habitação, contra os despejos e o aumento do custo de vida. “Cinquenta anos depois, os filhos e netos dessas gerações continuam a enfrentar dificuldades para conseguir uma casa, e alguém acha isto normal?”, pergunta.

Afirma ainda que "a democracia trouxe conquistas fundamentais, mas não podemos aceitar que direitos tão básicos continuem fora do alcance de tantas famílias. Quem lutou pela liberdade não o fez para que as gerações seguintes fossem obrigadas a abandonar a sua terra à procura de melhores condições de vida".

A Juventude do JPP exige medidas concretas: "mais habitação pública e a custos acessíveis, melhores salários, combate à precariedade e políticas que permitam aos jovens permanecer na Madeira e construir aqui o seu futuro". 

Por fim ,afirma que "Portugal não pode continuar a formar jovens para depois os perder" e que "a Madeira não pode continuar a exportar talento por falta de oportunidades". 

Cinquenta anos depois do 25 de Abril, os jovens não pedem privilégios. Pedem condições para viver, trabalhar e construir o seu futuro. E isso não pode continuar à espera".   Diogo Monteiro