Paulo David alerta para fragilidade do Funchal
Arquitecto homenageado na Mesclarte defende novas centralidades e uma arquitectura centrada nas pessoas
Paulo David considera urgente repensar o desenvolvimento urbano do Funchal, defendendo novas centralidades que permitam responder à pressão habitacional sem comprometer a identidade e a fragilidade da cidade. O arquitecto, distinguido com o Prémio Mérito e Excelência da Mesclarte’26, destacou a importância de estudar o território e compreender as suas características antes de intervir.
Na intervenção, marcada pela reflexão sobre três décadas de regresso e trabalho na Madeira, o arquitecto sublinhou que a ilha constitui uma fonte permanente de aprendizagem, pela sua geografia, paisagem e relação com o oceano.
“A cidade é, na verdade, um depósito de vontades, de memórias, de conquistas, de ruínas e urgências”, afirmou, defendendo que estes elementos devem ser compreendidos como parte de um processo de transformação e adaptação urbana.
Paulo David destacou ainda o trabalho de investigação desenvolvido com estudantes de universidades de Lisboa e Milão, que envolve o estudo do Funchal e de outros territórios, na procura de soluções para os desafios urbanos. Segundo referiu, cerca de uma centena de alunos por ano estuda a cidade, contribuindo para aprofundar o conhecimento sobre as suas potencialidades.
A habitação foi apontada como um dos desafios que exigem novas respostas, através da criação de outras centralidades, dando como exemplo o trabalho desenvolvido em Machico.
Para o arquitecto, a arquitectura não se resume à construção de edifícios, devendo privilegiar a experiência humana, o conforto e a forma como as pessoas habitam os espaços.
Ao agradecer a distinção, Paulo David considerou que uma homenagem representa também uma responsabilidade acrescida. “Fazer arquitectura é uma prestação de serviço”, afirmou, defendendo o rigor, a exigência e a entrega ao trabalho, independentemente da visibilidade alcançada.