Após conflitos, mulher sozinha, com apito e cartaz, fez barulho na praça D. João I
Depois de uma noite de conflitos entre manifestantes pela habitação e a polícia na Praça D. João I, no Porto, e quando o espaço já estava vazio, uma mulher sozinha quis esta manhã fazer barulho contra a violência policial.
Virgínia Valente chegou cerca das 08:00 à Praça D. João I, no Porto, já vazia dos manifestantes que desde sábado se concentraram neste local para exigir mais habitação e que esta noite foram alvo de carga policial.
Sozinha, com um apito e um cartaz, Virgínia Valente disse à Lusa que não podia ficar quieta e calada, depois de ver vídeos do que disse ser violência policial sobre pessoas "que se manifestavam pacificamente".
"A polícia usou de violência apenas porque as pessoas estavam a cantar", relatou, acrescentando: "é um, bocado ridículo estar aqui sozinha mas também não fui capaz de ir trabalhar, fazer a minha vida, sem manifestar o meu repúdio".
A Praça D. João I, no Porto, palco de protestos pela habitação desde sábado, amanheceu hoje vazia depois de uma intervenção policial ocorrida durante a madrugada e que provocou 37 feridos, segundo o Movimento que convocou o protesto.
No local, ao início da manhã, cerca das 07:30, estava apenas a Polícia de Segurança Púbica (PSP) e carros de limpeza da Câmara Municipal do Porto, que recolhiam o lixo deixado, sendo visível no centro da Praça restos de algo que terá ardido.
O Movimento pela Habitação denunciou que durante a madrugada de hoje houve uma intervenção policial que causou ferimentos em 37 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave.
"Não se pode virar a cabeça a esta atitude violenta. O que sinto neste momento é um bocado de raiva. Estava aqui um grupo de pessoas a defender pacificamente os interesses dos que se veem sem condições para pagar uma casa. Choca-me a falta de solidariedade e empatia das pessoas", lamentou Virgínia Valente.
De acordo com o movimento, entre os feridos está uma pessoa com deficiência e vários participantes na concentração foram hospitalizados.
Em declarações à agência Lusa, o comandante dos Bombeiros Voluntários do Porto, Luís Silva, disse que oito ativistas do Movimento deslocaram-se à sede da corporação para serem assistidos, dois dos quais foram transportados ao Hospital de Santo António, no Porto.
Entretanto, em declarações aos jornalistas, Pedro Manuel, um dos elementos do Movimento disse que a polícia chegou quando já estavam a desmontar as tendas e, mesmo assim, investiu sobre eles.
Os participantes voltaram a instalar tendas durante a noite, que foram retiradas pela polícia, depois de o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, ter dito na quarta-feira que seria "absolutamente implacável com qualquer tentativa de colocação de tendas" na Praça D. João I".