Subsídio Social de Mobilidade

Subsídio Social de Mobilidade (SSM)/Mecanismo de Continuidade Territorial (MCT), que maravilha, honra lhes seja feita, os madeirenses, sem qualquer dúvida, sentem-se extremamente honrados perante tamanha deferência! E porque é que se devem sentir assim tão agradecidos? É porque se, antes, tudo era muito complicado para se poder receber esse tal subsídio numa qualquer estação dos CTT, por causa desses tais 10, 15, ou 20 minutos de espera, agora tudo se tornou bem mais simples, a nossa vida ficou bem mais facilitada. E está bem mais facilitada porquê? Ironicamente falando, porque, para além de continuar a ser necessário apresentar todos esses comprovativos e de ter de ter, passo a redundância, uma chave móvel digital para poder entrar na plataforma “pedir-o-subsídio-social-de-mobilidade” e responder a um questionário tão simples, mesmo muito simples, tão bem à moda desta nossa burocracia portuguesa, basta somente (?) referir o seguinte, coisa tão pouca:

- NIF da entidade emissora;
- Data de emissão do bilhete;
- Número da Fatura;
- Data da Fatura:
- Tipo de viagem (se foi ida e volta, só ida, ou só volta);
- Se foi só ida, a origem inicial da viagem e o destino final;
- Se foi ida e volta, a origem inicial da viagem, o destino final, a data de partida, a hora de partida, a data de chegada e a hora de chegada (quer dizer, até pode ter partido mais tarde e chegado mais tarde, mas aquilo que verdadeiramente importa é o que consta do papel);
- A companhia aérea (TAP, EasyJet, Ryanair, etc.);
- O número de reserva;
- Se fez escala ou não (sim, o mais certo é que, desde o Funchal para Lisboa e/ou Porto, os aviões, por hábito, devam fazer escala no Porto Santo);
- Se tem fatura da viagem de ida diferente da fatura diferente da volta;
- Origem inicial da viagem;- Destino final da viagem;
- Data de partida;
- Hora de partida;
- Data de chegada;
- Hora de chegada (o avião até pode, por uma qualquer circunstância, ter chegado ao seu destino 15 minutos depois daquilo que estaria previsto, mas, pelos vistos, aquilo que verdadeiramente importa é o que diz o papel;
- Companhia aérea (mesmo preciso assinalar quando os documentos em anexo bem o comprovam?);
- Número de reserva;
- Se adquiri(mos) a minha (nossa) viagem através de agência ou outro intermediário de viagens;
- Se vou (vamos) ou não participar na viagem;
- Se for uma viagem de ida e volta, indicar o nº do E-Ticket (Ida) e o valor da Tarifa (Ida), o nº do E-Ticket (Volta) e o valor da Tarifa (Volta);
- Finalmente, só falta mesmo referir o valor das taxas (Taxa de emissão de bilhete - XP, Taxa de serviço a passageiros -YP, Sobretaxa de combustível -YQ, Taxa de carbono - J9 e, finalmente, a Sobretaxa de Segurança - PT.

Decididamente, nós, ilhéus e portugueses que muito prezamos ser, dispensamos por completo tamanha burocracia! A única coisa que reivindicamos é que sejamos tratados, de pleno direito, como todos os portugueses, com os mesmos deveres, mas também com os mesmos direitos!

Se da Espanha, nem bom vento, nem bom casamento, não quero acreditar que, também do Continente, já não há quem se importe com a gente!

Paulo Ferreira