Carlos Dinis diz que caso Ronaldo era evitável e foi "pouco agradável" para todos
Carlos Dinis, o primeiro selecionador a convocar Cristiano Ronaldo a uma seleção portuguesa de futebol, afirmou hoje que todo o caso podia ter sido evitado, referindo que a situação se foi arrastando até terminar de forma "pouco agradável" para todos.
"É uma situação que podia ser evitada. Num passado recente não me parece que as coisas tenham sido geridas de forma eficaz e foram deixando arrastar. Especialmente nos últimos anos, com o selecionador Roberto Martínez, as coisas foram-se acumulando", disse em declarações à agência Lusa Carlos Dinis, que chamou Ronaldo pela primeira vez para a seleção de sub-15.
Cristiano Ronaldo abandonou na quarta-feira o estágio da seleção portuguesa, na véspera do jogo com a Dinamarca para a Liga das Nações, após conversar com o presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Pedro Proença.
"Após a conferência de imprensa do selecionador nacional, e no seguimento de uma conversa com o presidente da FPF, tomei a decisão de deixar o estágio da seleção nacional", escreveu o avançado do Al Nassr, nas suas páginas oficiais nas redes sociais.
Cristiano Ronaldo, de 41 anos, é o capitão da equipa das 'quinas', que capitaneou nos triunfos no Campeonato da Europa de 2016 e nas edições de 2019 e 2025 da Liga das Nações.
Carlos Dinis, de 74 anos, com muitos anos de ligação às seleções jovens portuguesas, defendeu que era difícil a qualquer selecionador deixar Ronaldo de fora desde que ele tivesse intenção de continuar, por tudo o que significa, pelo que fez e conquistou, e lembrou a recente conferência de imprensa do avançado ao lado de Jorge Jesus.
"Eu assisti ao vivo à conferência, de que Ronaldo estava disponível para jogar, ficar no banco ou na bancada, mas na prática as coisas não foram bem assim", frisou.
Carlos Dinis lembrou que Jorge Jesus já tinha demonstrado em outros casos, como com Aimar no Benfica, que atua em função dos interesses da equipa e que ao ser escolhido para o cargo de selecionador já se sabia que seria difícil as coisas continuarem como até então.
"A situação arrastou-se de forma negativa e não se esperava que fosse assim de forma tão abrupta. É algo pouco agradável para todas as partes, foi desagradável para todos os envolvidos, a Federação Portuguesa de Futebol, o selecionador e Cristiano Ronaldo", defendeu.
O antigo selecionador defendeu que o país e a seleção portuguesa devem muito a Cristiano Ronaldo, tal como o avançado deve muito à seleção, num caso que considera evitável.
Portugal lidera o Grupo A4 com seis pontos, contra três da Noruega e também da Dinamarca, que no domingo recebeu e bateu o País de Gales, por 2-0.
O jogo entre Dinamarca e Portugal está marcado para hoje, às 20:45 locais (19:45 de Lisboa), no Estádio Parken, e vai ser arbitrado pelo ucraniano Mykola Balakin.