Seguro vs. Ventura: sinais para o país
No debate com J Seguro, A Ventura voltou a demonstrar pouco interesse para discutir propostas de forma estruturada. J Seguro conseguiu em vários momentos, impor-se com argumentos concretos e num tom mais controlado. Ventura manteve o registo que o tem distinguido: mensagens vagas, forte carga emocional e um discurso orientado para consolidar a sua base eleitoral e reforçar a sua influência, sobretudo a pensar em substituir Montenegro. O recurso à provocação e ao achincalhamento dos opositores, num estilo próximo da conversa informal, voltou a marcar o debate. Esta estratégia é eficaz do ponto de vista eleitoral, mas contribui para o empobrecimento do debate democrático e afasta a discussão pública das questões estruturais que o país enfrenta.
Neste contexto, votar em J Seguro, no dia 8 de Fevereiro não é apenas sobre uma escolha presidencial. Surge como um teste à maturidade política do eleitorado e um sinal do rumo que Portugal poderá seguir. A experiência recente de outros países mostra como a normalização dos discursos populistas tende a empurrar o debate para posições mais extremadas.
Com a vitória de Seguro nas presidenciais Portugal irá respirar mais democracia. Ainda assim, um resultado acima dos 30% dos votos para Ventura, legitima um discurso mais agressivo e cria uma dinâmica sensível para as legislativas seguintes. Montenegro, apesar do seu tacticismo, poderá enfrentar dificuldades acrescidas nesse cenário.
Carlos Oliveira