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Morador em La Guaira descreve ataques a alvos militares e teme represálias

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Um residente em La Guaira, na Venezuela, que prefere ficar no anonimato, descreveu como viveu a madrugada marcada por ataques a vários pontos estratégicos da região, admitindo que o maior receio da população não é já um novo bombardeamento, mas sim possíveis represálias por parte do regime.

Segundo o testemunho, as primeiras informações começaram a circular entre as 2 e as 3 horas da manhã, através de chamadas e mensagens no telemóvel. “Foi uma surpresa. Havia muita pressão nas últimas semanas, mas muita gente acreditava que o conflito não ia passar disto”, afirmou.

De acordo com a informação disponível no local, terão sido atingidos quatro pontos na região de La Guaira, incluindo Carmen de Uria, a cerca de 15 minutos da sua residência, bem como instalações militares no porto e no aeroporto. “Foram alvos militares, não civis”, sublinhou.

O morador refere que não ouviu directamente os bombardeamentos, uma vez que estava a dormir no momento dos ataques, assim como os seus pais. Ainda assim, garante que, após os acontecimentos, a população optou por permanecer em casa. “Agora toda a gente está resguardada. Mais do que medo dos bombardeios, há medo da repressão e das represálias do governo”, explicou.

Segundo relata, forças de segurança reforçaram a presença na região, aumentando a tensão. O receio é de que sectores mais radicais do regime assumam o controlo da situação. “Com Maduro fora de cena, há medo de que os sectores mais duros do governo avancem”, afirmou.

Apesar da gravidade dos acontecimentos, o morador garante que, até ao momento, não há relatos de consequências directas para a população civil. “Os estragos são pontuais e concentrados no porto, no aeroporto e em bases militares”, disse, acrescentando que há informações de que helicópteros terão retirado Nicolás Maduro de uma base militar conhecida como Forte Tiuna.

Quanto ao impacto imediato no quotidiano, refere que o país se encontra praticamente parado. “Está tudo fechado. As pessoas estão à espera de perceber o que vai acontecer nas próximas horas”, afirmou.

Relativamente ao abastecimento de bens essenciais, admite que a situação já era difícil nos últimos anos e poderá agravar-se, dependendo da evolução dos acontecimentos. “Vai depender muito do que acontecer agora. Neste momento, o cenário é de incerteza total”, concluiu.