Chile e México condenam ataque dos Estados Unidos, Porto Rico apoia
O ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela está a gerar reações contraditórias no continente americano, com o Chile a condenar a agressão e Porto Rico a apoiar a iniciativa de Washington.
O Presidente do Chile, Gabriel Boric, criticou o ataque militar levado a cabo esta madrugada pelos Estados Unidos contra a Venezuela e que culminou com a captura de Nicolás Maduro, no poder na Venezuela.
Expressando "preocupação e condenação", Gabriel Boric apelou, numa publicação feita na rede social X, ao diálogo e à não violência e pediu uma "saída pacífica para a grave crise que afeta" a Venezuela.
"O Chile reafirma a sua adesão aos principios básicos do direito internacional, como a exclusão do recurso à força, a não intervenção, a solução pacífica dos conflitos internacionais e a integridade territorial dos Estados", frisou.
"A crise venezuelana deve resolver-se através do diálogo e com o apoio do multilateralismo e não através da violência nem da ingerência estrangeira", balizou.
Também o México condenou "energicamente" o ataque de Washington, exortando as Nações Unidas a "agirem imediatamente".
A ação dos Estados Unidos é uma "clara violação do artigo 2.º da Carta da Organização das Nações Unidas", considera a diplomacia mexicana, num comunicado partilhado pela própria Presidente, Claudia Sheinbaum.
A região da América Latina e Caribe é "uma zona de paz", construída na base do respeito mútuo, e "qualquer ação militar põe gravemente em risco a estabilidade regional", alerta o México.
Já a governadora de Porto Rico tem outra opinião, tendo manifestado apoio à operação militar dos Estados Unidos contra a Venezuela.
Jenniffer González saudou a captura de Nicolás Maduro, que a justiça venezuelana considera um "sequestro", e reafirmou, num comunicado oficial, o compromisso da ilha caribenha (território não incorporado dos Estados Unidos) com "o fim do narcoterrorismo na América e a defesa do Estado de direito, da democracia e dos direitos humanos".
"É um novo dia para a Venezuela" e "um acontecimento de grande relevância", exultou a governadora, esperando que o "processo abra caminho a uma transição ordeira, pacífica e democrática que permita à Venezuela reencontrar-se com a liberdade e a prosperidade".
Entretanto, Porto Rico suspendeu a maioria dos voos comerciais no aeroporto de San Juan durante, no mínimo, 24 horas, em resposta a uma ordem emitida pela administração federal de aviação dos Estados Unidos.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou hoje um "ataque em grande escala" contra a Venezuela, para capturar o chefe do Estado venezuelano, Nicolás Maduro, que foi retirado à força do país.
Washington "não prevê nenhuma ação suplementar na Venezuela agora que Maduro foi detido", para ser julgado em Nova Iorque por "narcoterrorismo".
O Governo venezuelano denunciou a "gravíssima agressão militar" dos Estados Unidos e decretou o estado de exceção.