Nuno Melo antecipa regresso a Portugal e adia ida à Polónia
O ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, antecipou hoje o regresso a Portugal, que estava previsto para sexta-feira, adiando a ida à Polónia, devido à situação no país causada pela tempestade Kristin.
"Aquilo que faz sentido, neste momento, é estar em Portugal quando nesta situação de calamidade as Forças Armadas estão empenhadas", afirmou Nuno Melo, em declarações aos jornalistas no aeroporto de Istambul, na Turquia.
Nuno Melo viajou num KC-390 até Istambul na passada terça-feira, para avaliar oportunidades de parceria com este país no âmbito das indústrias de Defesa e reequipamento das Forças Armadas.
O périplo incluía ainda uma passagem, na quinta-feira, pela capital da Polónia, Varsóvia, onde teria uma reunião com o seu homólogo, Wladyslaw Kosiniak-Kamysz, "com vista à criação de sinergias entre os dois países", mas a visita foi hoje cancelada pela comitiva portuguesa.
O governante garantiu que o investimento nas indústrias de Defesa não vai ficar prejudicado com este adiamento, afirmando estar em causa uma "escala de prioridades" uma vez que, em algumas localidades portuguesas, foi decretado o estado de calamidade e as Forças Armadas estão a prestar auxílio à população.
"Acresce a nossa própria confirmação da situação gravosa ainda, do ponto de vista climatérico, porque o próprio regresso para amanhã não estará assegurado e mesmo sábado as condições serão muito más e hoje veremos. Mas é nossa obrigação voltar para Portugal e é isso que vamos fazer", acrescentou.
O Governo decidiu hoje em Conselho de Ministros decretar a situação de calamidade "nas zonas mais afetadas pela tempestade Kristin", divulgou hoje o gabinete do primeiro-ministro.
O mesmo comunicado informa que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, decidiu "cancelar a agenda externa, prevista para os próximos dias, nomeadamente as viagens a Andorra e à Croácia" e que visitará hoje as zonas afetadas no distrito de Leiria e Coimbra.
Esta manhã, na Turquia, à margem da cerimónia que assinalou o início da construção do primeiro de dois navios reabastecedores e logísticos para a Marinha portuguesa, Nuno Melo foi questionado sobre os impactos da tempestade em Portugal nas infraestruturas das Forças Armadas, depois de a Base Aérea N.º 5, Monte Real, em Leiria, ter registado vários danos.
"Infelizmente os prejuízos são avultados e são avultados desde logo por uma base aérea em particular com equipamento danificado", afirmou.
Nuno Melo disse ter dado instruções ao Exército para, no limite das suas capacidades, auxiliar a população civil.
"As Forças Armadas estão envolvidas no apoio à população civil, também neste caso, sendo que as próprias Forças Armadas receberam avultados os prejuízos, infelizmente", acrescentou.
A passagem da depressão Kristin pelo território português deixou um rasto de destruição, causando pelo menos seis mortos, vários feridos e desalojados.
Os distritos mais afetados foram Leiria (por onde a depressão entrou no território continental), Coimbra, Santarém e Lisboa.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.