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Madeira

Madeira é a 4.ª região com maior procura de casas de luxo por norte-americanos

Depois de Lisboa, Faro e Porto, tudo por causa do 'efeito Trump'

Foto Shutterstock
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Os cidadãos dos EUA, que "representam atualmente cerca de 12% da procura internacional por casas de luxo em Portugal, sendo a segunda nacionalidade mais activa neste segmento depois do Reino Unido", têm um olhar para a Madeira que concentra 6,1% do total de casas procuradas nos últimos tempos, tudo por causa do 'efeito Trump'.

Segundo o portal idealista.pt, "a maioria das pesquisas incide sobre imóveis acima de 1 milhão de euros", sendo que Lisboa, Faro e Porto concentram o maior interesse", representando 46,5%, 16,1% e 9,4% respectivamente, "mas há também forte procura em regiões como Madeira e Açores" (3,9%), intermediados por Setúbal (5,6%).

Os dados referentes ao 4º trimestre de 2025 revelam que os cidadãos do Reino Unido ainda estão na frente, com 13% da procura, seguidos dos norte-americanos com 12%, alemães 10%, franceses 9%, espanhóis 8%, neerlandeses e brasileiros, ambos com 6%.

Refira-se que além do peso nacional, há o peso interno. "Em território continental, os norte-americanos também sustentam a procura internacional por casas de luxo à venda, especialmente em Leiria (16,8% do total estrangeiro distrital), Lisboa (15,8%), Coimbra (15,5%) e Porto (14,3%)", enquanto "onde a procura vinda dos EUA tem menos impacto no total internacional premium é na ilha de Porto Santo (5,9%), Faro (7%) e Portalegre (7,2%), sugerem os mesmos dados"

Na Madeira, os norte-americanos representam 10,1% dessa procura internacional interna, oito lugares acima do Porto Santo, o local/região/ilha do país com menor pressão desses novos investidores. 

Açores 'assaltado' por novos interessados

Diz o idealista que "as visitas aos imóveis de luxo em Portugal desde os EUA também continuam a alimentar a procura internacional premium em várias zonas do país, com destaque para as ilhas do arquipélago dos Açores, o que pode ser explicado pela proximidade geográfica e ligações históricas".

E acrescenta: "Os EUA representam mesmo 39,1% do total de visitas estrangeiras a casas de luxo na ilha do Faial. E pesam 36,1% na procura internacional de habitações premium na ilha Terceira, onde os EUA têm instalada a base área militar das Lajes há vários anos. Também na ilhas de São Miguel e na ilha de São Jorge, os EUA representam mais de 30% da procura internacional premium. A procura norte-americana também é bem expressiva no total estrangeiro nas ilhas de Santa Maria (29,6%), Pico (26,1%) e Flores (23,1%)."

O contexto

"Os dados mais recentes do idealista revelam que a procura desde os EUA por casas de luxo à venda em Portugal continua bem expressiva, apesar de haver menos incentivos fiscais para investimento imobiliário no nosso país", situa.

Ou seja, uma vez que "a política interna e externa dos EUA tem sido abalada pela adoção de várias medidas tomadas durante o primeiro ano do novo mandato presidencial de Donald Trump. A nível interno, os norte-americanos têm sentido os efeitos da sua dura política de imigração, que resultou em 605.000 deportações no último ano, e estão a assistir à grande pressão exercida sobre a Reserva Federal para reduzir as taxas de juro. A nível externo, destaca-se a aplicação de duras tarifas a vários países do mundo – União Europeia incluída - e a captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, no início deste ano, a par do escalar de tensões com o Irão", justifica.

É, por isso, "neste contexto de instabilidade com epicentro nos EUA que as famílias e investidores norte-americanos – nomeadamente, os que têm elevado poder de compra - tendem a procurar refúgios para viver e investir. E, ao que tudo indica, Portugal continua a ser uma opção para estes investidores estrangeiros vindos dos EUA, perante a sua posição estratégia, políticas fiscais favoráveis e baixa criminalidade, além do clima ameno".