“Proteger os dados pessoais é proteger identidades, relações e bem-estar”
A secretária regional de Educação, Ciência e Tecnologia defendeu, esta manhã, na sessão comemorativa do Dia Europeu da Protecção de Dados, que a educação para a privacidade e para a protecção de dados deve começar desde cedo e assumir-se como um pilar fundamental da formação das crianças e jovens numa sociedade cada vez mais digital.
Ao abordar o tema ‘Privacidade em rede: Educação e Impacto Social’ e dirigindo-se a professores e encarregados de educação presentes no auditório, a titular da pasta sublinhou que as crianças de hoje são “nativas digitais”, ao contrário das gerações adultas, e que vivem naturalmente num mundo onde a internet está presente desde o nascimento. “Nós, que não somos nativos digitais, temos o dever de educar estas crianças e jovens para aprenderem a viver em segurança neste mundo”, afirmou, considerando tratar-se de “um desafio” que exige um trabalho contínuo e muitas vezes invisível.
A governante alertou para a forma descontraída como muitos jovens partilham dados pessoais online, sem consciência das consequências, lembrando que “cada fotografia, cada informação partilhada e cada registo digital fazem parte da nossa identidade” e permanecem disponíveis ao longo do tempo. “Tudo o que colocamos no meio digital pode ser usado pelas melhores razões, mas também pelas piores”, advertiu.
No seu discurso, Elsa Fernandes destacou, também, o impacto da inteligência artificial, ilustrando como a pegada digital pode hoje ser utilizada em processos como o recrutamento profissional, apenas com recurso a imagens, o que reforça a necessidade de uma educação sólida para a privacidade e para o uso responsável da tecnologia.
A secretária regional alertou igualmente para fenómenos como o ciberbullying, a exposição precoce e a pressão social nas redes digitais, salientando que estas situações podem ter consequências graves na saúde mental e na autoestima das crianças e jovens. “No mundo digital, a agressão fica gravada, permanece no tempo e torna os danos muito mais profundos”, disse.
Defendendo uma abordagem assente no exemplo, Elsa Fernandes considerou que a coerência dos adultos é essencial no processo educativo. “Não basta dizer às crianças o que não devem fazer. O exemplo que damos enquanto professores, pais e educadores é determinante”, afirmou, acrescentando que a segurança digital começa com “pequenos hábitos”, como palavras-passe seguras, reflexão antes de publicar e cuidados com as partilhas.
Sobre o papel central da escola na promoção da literacia digital, ética e cidadania, sobretudo junto de alunos provenientes de contextos familiares onde estas temáticas não são trabalhadas, esclareceu que “a escola é, para muitos, o primeiro lugar onde se aprende a viver bem no mundo digital”, frisou, defendendo também o envolvimento das famílias através do diálogo e da formação.
Elsa Fernandes salientou, na sua intervenção, a importância de políticas públicas de sensibilização, recursos adequados e legislação eficaz, considerando que “a privacidade é também um compromisso político”. A este propósito, referiu medidas como a distribuição equitativa de tablets aos alunos a partir do 5.º ano de escolaridade, sublinhando que a inclusão digital deve caminhar lado a lado com a segurança e a proteção de dados. “Inclusão sem proteção pode significar maior risco e desigualdade”, alertou.
A sessão comemorativa decorre, esta manhã, 28 de janeiro, no auditório da Escola Profissional Dr. Francisco Fernandes, no âmbito do Dia Europeu da Protecção de Dados.