Seguro acusa Ventura de "política do empadão" na imigração
O candidato presidencial António José Seguro acusou hoje André Ventura de ter uma "política de empadão" sobre imigração, tendo o líder do Chega defendido que o Presidente deveria vetar uma regularização extraordinária de imigrantes semelhante à proposta em Espanha.
No debate televisivo que opôs hoje os dois candidatos que passaram à segunda volta das presidenciais, transmitido em simultâneo na RTP, SIC e TVI, a proposta do Governo espanhol para um processo extraordinário de regularização de estrangeiros que vivem e trabalham no país, que deverá abranger meio milhão de pessoas, marcou uma divergência entre os dois opositores.
Seguro acusou Ventura de ter uma "política do empadão" em que se começa "numa coisa, mistura-se tudo, sem factos e apenas baseado nas perceções", da qual discorda por completo.
O candidato apoiado pelo PS referiu que tinha sido colocada pelos moderadores "uma questão teórica" e que "este assunto não está na ordem do dia" em Portugal.
"Se há uma necessidade e uma emergência no sentido de que a nossa economia precisa de contributo de mais mão-de-obra e essa mão-de-obra não existe no país, qual é a solução? O país para? Agora, a questão do controlo e a questão da imigração é crucial", defendeu Seguro, considerando que "os imigrantes em Portugal dão um contributo indispensável, por exemplo, para a Segurança Social".
Para André Ventura, a reação do socialista "mostra bem como não está preparado para o cargo".
"Nem sabia o que tinha que fazer se isso acontecer. Se tem que promulgar ou não tem que promulgar, se tem que vetar, se tem que reanalisar, se tem que mandar para o parlamento novamente", criticou o líder do Chega.
Ventura defendeu que vetaria esta regularização que irá ser feita em Espanha caso fosse proposta em Portugal porque não pode haver "a entrada de gente de qualquer maneira".
Neste debate, António José Seguro adiantou ainda que, se for eleito, o primeiro Conselho de Estado que vai convocar, logo em março, será para "debater a questão da segurança e da defesa", e disse também querer discutir o tema com os chefes militares e ouvir os partidos para "manter o consenso nacional".
O socialista considerou que a "Europa e Portugal têm de reforçar a sua autonomia estratégica" nesta área para ter "melhores meios, mais eficientes" para se proteger e defendeu planos anti-corrupção para o investimento que vai ser feito.
O candidato apoiado pelo PS defendeu também que deve haver uma "análise muito objetiva" sobre "se este movimento que os Estados Unidos estão a fazer é um movimento de uma administração ou se é um movimento dos Estados Unidos".
Seguro lembrou também que o adversário esteve nos Estados Unidos da América aquando da posse de Donald Trump, um dos "amigos de Ventura".
Por sua vez, André Ventura criticou o anúncio do adversário na corrida a Belém e acusou-o de não ter "uma ideia sobre nada".
Questionado sobre como vai lidar com a estratégia do Presidente dos Estados Unidos da América para enfraquecer a Europa, André Ventura defendeu que "o Presidente de Portugal deve ser firme na defesa do país", independentemente de quem estiver na Casa Branca.
"O território de Portugal não se discute, a integridade europeia não se discute, Portugal no mundo não se discute", acrescentou.
Sobre o Conselho de Paz de Donald Trump, o candidato e líder do Chega considerou que Portugal pode aderir "se se restringir à questão israelo-palestiniana, e não a uma questão superior".
Junto ao Museu do Design, em Lisboa, onde decorreu o debate, estiveram algumas dezenas de apoiantes de André Ventura -- que apuparam Seguro à chegada - com bandeiras da candidatura e de Portugal, além de vários agentes da PSP.
À chegada, questionado pelos jornalistas, António José Seguro quis endereçar as condolências pela morte do guitarrista António Chainho e do militar do curso de Operações Especiais, além de deixar uma palavra sobre o mau tempo que está a assolar o país.