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Cheias já afectaram 700 mil moçambicanos com 105 mil em centros de abrigo

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Foto LUÍSA NHANTUMBO/LUSA

Quase 105 mil pessoas estão em centros de abrigo em Moçambique, devido às cheias que afetaram já praticamente 700 mil em 20 dias, segundo o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).

De acordo com a base de dados do INGD, a que a Lusa teve acesso e com dados até às 16:00 (14:00 de Lisboa) de hoje, as cheias que se registam em vários pontos do país já afetaram 691.527 pessoas (mais 40 mil em 24 horas), equivalente a 151.963 famílias, ainda com 12 mortos, 3.447 casas parcialmente destruídas, 771 totalmente destruídas e 154.797 inundadas.

Os dados do INGD referem ainda 45 feridos e quatro desaparecidos na sequência destas cheias, desde 07 de janeiro, numa altura em que famílias inteiras continuam a aguardar resgate, sobretudo no sul de Moçambique.

Desde o início da época das chuvas, em outubro, incluindo as últimas semanas de cheias, já morreram 124 pessoas em Moçambique, além de 148 feridos e 812.194 pessoas foram afetadas, segundo os dados do INGD.

Até 16 de janeiro, era referido o total de 103 óbitos e 173 mil pessoas afetadas desde o início da época das chuvas em Moçambique (que vai de outubro a abril), avançou nesse dia o Governo, decretando de seguida o alerta vermelho nacional.

Segundo os dados de hoje, estão atualmente ativos 105 centros de acomodação - mais seis face a domingo -, com 103.535 pessoas (mais 4.000), incluindo 19.556 que tiveram de ser resgatadas. Nesta atualização, contabiliza-se ainda que foram afetadas, desde 07 de janeiro, 229 unidades sanitárias e 366 escolas, quatro pontes e 1.336 quilómetros de estrada.

O registo do INGD aponta ainda para 287.013 hectares de área agrícola afetados, atingindo a atividade de 215.949 agricultores, além da morte de 325.578 cabeças de gado, entre bovinos, caprinos e aves.

Prosseguem ações e tentativas de resgate de famílias que continuam sitiadas pelas cheias, sobretudo em Maputo e Gaza, sul de Moçambique, resultado das fortes chuvas durante vários dias, que têm levado as barragens, incluindo dos países vizinhos, a realizarem descargas, por falta de capacidade de encaixe.

A União Europeia, os Estados Unidos da América, Portugal, Noruega e Japão, além de países vizinhos da África austral, já anunciaram e enviaram ajuda humanitária de emergência.

Estão envolvidos nas operações de resgate mais de uma dezena de meios aéreos, incluindo da África do Sul, bem como embarcações privadas e da Marinha de Guerra.

Em Maputo, as estradas Nacional 1, para norte, e Nacional 2, para sul, continuam intransitáveis, devido à subida das águas.