Negociações de paz decorrem em Abu Dhabi enquanto Kiev e Moscovo acusam-se de ataques com drones
As conversações entre as delegações russa, ucraniana e norte-americana, que aconteceram na semana passada em Abu Dhabi, foram realizadas "com espírito construtivo", afirmou hoje o porta-voz da Presidência russa (Kremlin), Dmitri Peskov.
Entretanto, "seria errado esperar resultados significativos destes contactos iniciais", alertou o porta-voz, citado pelas agências noticiosas russas, sublinhando que "ainda há muito trabalho a fazer" para se chegar a uma solução para o conflito na Ucrânia.
Estas conversações, que decorreram na sexta-feira e no sábado, são as primeiras negociações diretas conhecidas entre Moscovo e Kiev sobre o plano norte-americano para resolver o conflito, desencadeado pela ofensiva russa em grande escala contra a Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022.
As negociações para colocar fim a esta guerra estavam paralisadas, particularmente na questão territorial.
Na sexta-feira, pouco antes do início das conversações entre as partes, o Kremlin reiterou que Kiev deve retirar as suas tropas do Donbass, uma região industrial e mineira no leste da Ucrânia, amplamente controlada por Moscovo. Esta condição tem sido repetidamente rejeitada por Kiev.
As negociações serão retomadas a 01 fevereiro, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, segundo um responsável norte-americano.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, por sua vez, indicou no sábado que "muitos assuntos foram discutidos e que é importante que as discussões tenham sido construtivas", sem fornecer mais detalhes sobre o conteúdo das conversas.
Estes esforços diplomáticos ocorrem quando centenas de milhares de ucranianos estão mergulhados na escuridão e no frio devido aos intensos bombardeamentos russos às infraestruturas energéticas, sendo que a capital ucraniana, Kiev, foi particularmente afetada.
Ataques mútuos na noite
As autoridades ucranianas acusaram hoje a Rússia do lançamento de 138 drones contra o seu território e Moscovo anunciou que derrubou 40 aparelhos aéreos não tripulados da Ucrânia, nas últimas horas.
A Força Aérea Ucraniana afirmou que as forças russas lançaram 138 aparelhos aéreos não tripulados (drones) sendo que 110 foram abatidos pelos sistemas de defesa aérea.
De acordo com as autoridades militares de Kiev registaram-se 21 impactos em 11 locais, bem como a queda de fragmentos de um drone abatido, sem referir vítimas ou danos.
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, reclamou no domingo aos aliados mais meios de defesa antiaérea, perante os ataques russos que já deixaram centenas de milhares de habitantes de Kiev sem eletricidade e aquecimento no pico do inverno.
Na Rússia, o Ministério da Defesa disse hoje que os sistemas aéreos abateram 40 drones ucranianos durante a última noite, a maioria no sul do país.
A maior parte do ataque, com 34 drones abatidos, concentrou-se na região sul de Krasnodar, na costa do Mar Negro.
Outros quatro foram intercetados sobrevoando o Mar de Azov.
Um outro drone ucraniano foi abatido na região fronteiriça de Bryansk e outro em Kaluga, perto de Moscovo.
A Rússia invadiu a Ucrânia em 2014 anexando a Península da Crimeia e lançou em 2022 uma invasão de grande escala contra todo o território ucraniano.