Raimundo critica "manobra" das sondagens e quer "derrota" de Ventura
O secretário-geral do PCP criticou hoje a "manobra da operação das sondagens" nas eleições presidenciais, referindo que o escrutínio ficará marcado pelo "condicionalismo", e reiterou o apelo ao voto em Seguro para "assegurar a derrota" de Ventura.
Num discurso durante um comício, em Lisboa, Paulo Raimundo afirmou que as eleições presidenciais "são históricas" não apenas por serem aquelas que tiveram mais candidatos ou por "40 anos depois" voltar a haver uma segunda volta, mas pelo facto de ter existido "um condicionalismo, uma pressão e uma chantagem como nunca tinha havido até agora em nenhuma das eleições".
"Foi manipulação, silenciamento, a difusão do preconceito, foram os candidatos de primeira, os candidatos de segunda, os candidatos de terceira. Foi, isso sim, uma verdadeira operação aspirador que ficará para a história na manobra da operação das sondagens", referiu.
Segundo o secretário-geral do PCP, a "operação" criou "a muita gente a ideia de empate entre três candidatos", o que "levou a muita gente a fazer opções ditadas não pela sua convicção", mas "pela pressão e o condicionalismo", disse, referindo-se aos casos de voto útil em António José Seguro.
"António José Seguro mesmo que tivesse tido menos 800 mil votos do que aquilo que teve continuava a passar à segunda volta", afirmou Raimundo, sublinhando que estes "milhares de votos" fizeram "muita falta à candidatura de António Filipe", que ficou em sétimo lugar com 1,64% dos votos.
Raimundo realçou que a candidatura de António Filipe, candidato apoiado pelo PCP, foi "indispensável, necessária e insubstituível", dado que conseguiu trazer para a campanha eleitoral temas como as alterações à lei laboral, a guerra e "a corrida aos armamentos" ou as dificuldades sentidas pelos trabalhadores.
Não obstante, "sem ilusões e com a certeza de que no debate da segunda volta" das presidenciais haverá "assuntos que estarão de for", o secretário-geral do PCP defendeu que é necessário "impedir que André Ventura seja eleito" e, para tal, "a única possibilidade de o fazer é votar em António José Seguro".
"Votar contra André Ventura não significa apoiar António José Seguro, nem o seu posicionamento político", sublinhou, referindo que estas eleições "não são um confronto entre a esquerda e a direita".
Mas "não sendo um confronto entre a esquerda e a direita, isso não significa ignorar os perigos que resultariam de entregar a Presidência da República a alguém como André Ventura", acrescentou, sublinhando que a candidatura do líder do Chega é "a candidatura da mentira, da intolerância e do retrocesso".
O secretário-geral do PCP pediu ainda que não se desvalorize a segunda volta das eleições, apontando que "o desfecho não está assegurado", e pediu aos eleitores que não olhem para as sondagens.
No discurso, Raimundo voltou ainda a tecer críticas ao primeiro-ministro por não ter indicado um sentido de voto para a segunda volta das presidenciais e lembrou ainda o "a grande e expressiva" greve geral de 11 de dezembro, que "revelou a unidade e a capacidade que os trabalhadores transportam consigo".
O líder do PCP apelou ainda à mobilização para as ações que estão a ser organizadas pela CGTP contra as alterações à lei laboral, nomeadamente para a manifestação que vai decorrer em Lisboa e no Porto a 28 de fevereiro, e indicou que o partido vai desenvolver "nas próximas semanas uma ampla ação de contacto com os trabalhadores" sob o mote "Outro Rumo para o País. Rejeitar o pacote laboral, a exploração e as injustiças".