PS dá entrada na Assembleia com projecto para travar alienação do 'Nélio Mendonça'
O Grupo Parlamentar do Partido Socialista (PS) entregou hoje, na Assembleia Legislativa da Madeira, um projecto de resolução que recomenda ao Governo Regional a suspensão da decisão de alienação do Hospital Dr. Nélio Mendonça, defendendo a sua manutenção como infra-estrutura pública ao serviço da saúde.
A iniciativa surge na sequência da intenção reiterada pelo presidente do Governo Regional de proceder à venda do edifício, posição que o PS considera politicamente errada e prejudicial ao interesse público e que - conforme noticiou o DIÁRIO - Paulo Cafôfo classificou como “inaceitável”.
Cafôfo critica a “inaceitável” venda do Hospital Dr. Nélio Mendonça
Líder parlamentar do PS-M alerta para perda de soluções em saúde e habitação
Para o líder parlamentar socialista, a governação regional não pode assentar numa "lógica de alienação do património público, nem a governação deve ser confundida com uma atividade de natureza imobiliária”, pelo que Paulo Cafôfo considera que a venda do Hospital Dr. Nélio Mendonça configura “uma opção política errada, precipitada e lesiva do interesse público”.
Num comunicado remetido esta tarde às redacções, o PS alerta ainda para os "constrangimentos estruturais graves" e persistentes no Sistema Regional de Saúde, apontando problemas como a sobrelotação hospitalar, a pressão constante sobre os serviços de urgência, as longas listas de espera para consultas, exames e cirurgias e as chamadas “altas problemáticas”, decorrentes da falta de respostas adequadas ao nível dos cuidados continuados e da área social. A estas dificuldades juntam-se, segundo os socialistas, "faltas recorrentes de medicamentos e de meios essenciais, bem como dificuldades no pagamento atempado aos profissionais de saúde".
Embora reconheça a importância do futuro Hospital Central e Universitário da Madeira, Paulo Cafôfo considera que esta nova unidade "não irá resolver, por si só, os problemas estruturais do sistema de saúde regional, até porque prevê um número de camas inferior ao actualmente existente e não responde às falhas na articulação entre cuidados hospitalares, cuidados continuados e respostas sociais".
O partido defende, por isso, uma estratégia integrada que "reforce a rede de cuidados continuados, a área social e a valorização dos profissionais de saúde".
O líder parlamentar socialista destaca ainda que o novo hospital conta com uma comparticipação estatal de 50%, assegurada pelo Governo da República, argumentando que este apoio demonstra a existência de soluções de cooperação institucional que dispensam a alienação de património público, tornando, no seu entender, ainda mais injustificável a venda do Hospital Dr. Nélio Mendonça.
Na perspectiva do PS, a entrada em funcionamento do novo hospital deveria permitir uma "reorganização mais ampla, estratégica e integrada do Sistema de Saúde Regional", incluindo a reconversão dos hospitais dos Marmeleiros e Dr. João de Almada em estruturas residenciais para idosos e a manutenção do Hospital Dr. Nélio Mendonça como hospital secundário, com valências de reabilitação, cuidados continuados, cuidados paliativos e unidade do doente frágil.
Através do projecto de resolução apresentado, os socialistas recomendam ao Governo Regional a "suspensão imediata de qualquer decisão de alienação" do edifício, a apresentação de um "plano integrado de reorganização do sistema de saúde regional" e a realização de estudos que avaliem a manutenção do Hospital Dr. Nélio Mendonça como unidade hospitalar secundária e/ou estrutura residencial para idosos.
PS defende manutenção do Hospital para reabilitação e cuidados continuados
O PS-Madeira manifestou a sua discordância em relação à intenção do Governo Regional de vender as actuais instalações do Hospital Dr. Nélio Mendonça, posição confirmada esta sexta-feira pelo presidente do executivo.