PS denuncia "embuste legislativo" no subsídio social de mobilidade
O PS denunciou, hoje, a “trapalhada” e o “embuste legislativo” que configura a proposta do PSD para alterar as regras do Subsídio Social de Mobilidade, uma vez que considera que não resolve os problemas que afectam os madeirenses. Numa conferência de imprensa realizada esta manhã, Paulo Cafôfo teceu duras críticas ao PSD.
O líder parlamentar do PS-M afirmou que a proposta dos sociais-democratas é uma “ilusão política” e alertou que, de acordo com a mesma, os madeirenses continuam obrigados a adiantar centenas de euros para viajarem, e não apenas os 59 ou os 79 euros. O socialista considera que esta é uma situação inaceitável e aponta baterias ao PSD, por continuar a não cumprir a sua promessa. Cafôfo reforçou que a proposta do PSD não resolve o essencial porque, mesmo com a plataforma, “temos um calvário de burocracia que faz desesperar os residentes que pretendem usufruir do Subsídio Social de Mobilidade”.
Na sua intervenção, Paulo Cafôfo assumiu que o PS mostrou "abertura total para encontrar uma solução séria, equilibrada e viável, apresentando propostas realistas e viáveis", mas disse que, do outro lado, encontrou “uma parede, boicote e politiquice”. “O PSD não quis consenso. Não quis uma posição forte e conjunta da Assembleia Legislativa da Madeira. Preferiu isolar-se, atacar o Partido Socialista e fingir que está a resolver um problema que foi criado pelo próprio PSD a nível nacional”, censurou.
Aliás, o PS afirma que "o próprio diploma do PSD desmente o PSD”. “O texto afirma um princípio num artigo e anula-o logo no artigo seguinte. Diz que há uma regra, mas admite desde logo que ela não se aplica. Isto não é uma solução, é um embuste legislativo”, denunciou, acrescentando que nem o PSD acredita no modelo que apresenta. “Se o PSD sabe que o modelo não é exequível, para quê enganar os madeirenses? Para quê criar expectativas falsas? Para quê vender propaganda em vez de soluções?”, questionou.
O PS absteve-se na votação da proposta, justificando que o fez de forma responsável e vincando que o seu objectivo não é bloquear, mas sim resolver. “O problema foi criado pelo próprio PSD, não foi travado pelo PSD-Madeira, nem pelo Governo Regional e não será, certamente, com radicalismos que se corrige uma injustiça desta dimensão”, afirmou Cafôfo, evidenciando que, "ao contrário do PSD e de outros partidos", o PS não está sempre contra. “Não estamos preocupados em tirar dividendos políticos nem em explorar dificuldades para ganho partidário. Estamos preocupados em resolver um problema concreto que penaliza os madeirenses”, expressou.
O socialista sublinhou que um modelo de mobilidade aérea não se constrói com truques nem com jogos políticos, mas com clareza, justiça e responsabilidade, sendo que este diploma não tem nenhuma destas três premissas. “O PSD vai de trapalhada em trapalhada. Reagiu tarde, tenta agora sacudir responsabilidades e apresentar-se como solução para um problema que criou e que continua a não resolver”, disparou, acusando o sociais-democratas de estarem mais preocupados com danos eleitorais do que com os madeirenses.
Paulo Cafôfo afirmou que a proposta do PSD-M está condenada ao fracasso, mas assegurou que o PS não vira costas à Região e continuará a lutar por uma verdadeira solução para a mobilidade aérea, seja no Parlamento regional, seja no nacional. “Os madeirenses não precisam de ilusões políticas. Precisam de pagar apenas os 59 e os 79 euros. Precisam de justiça, e é isso que o Partido Socialista continuará a exigir, com firmeza, com responsabilidade e sem oportunismos”, rematou.
O líder parlamentar do PS condenou ainda as declarações de ontem do primeiro-ministro, que reafirmou que quem tem dívidas ao Estado fica impedido de receber o Subsídio de Mobilidade.