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Costa considera "boa notícia" que Trump tenha descartado uso de força

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Foto EPA

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, considerou hoje uma "boa notícia" que Donald Trump tenha descartado o uso de força militar na Gronelândia, apesar de considerar estranho saudar que "aliados não se ataquem mutuamente".

"É uma boa notícia, o que é estranho é que seja notícia que aliados não se atacam mutuamente. Mas pronto, nos tempos que correm não podemos deixar de registar que é uma indiscutível boa notícia", afirmou António Costa em declarações aos jornalistas portugueses à margem da sessão plenária do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, França, a propósito da intervenção do Presidente dos Estados Unidos em Davos, Suíça.

Confrontado com o facto de Donald Trump ter dito que, apesar de descartar o recurso à força, quer negociações imediatas para a aquisição da Gronelândia, Costa respondeu: "Estávamos aqui num cenário, estamos noutro cenário".

"Como nós temos dito, só a Gronelândia e só a Dinamarca podem decidir sobre o seu próprio destino. Aquilo que a União Europeia (UE) assegura, quer à Dinamarca, quer à Gronelândia é total suporte, total solidariedade e total apoio", disse.

Antecipando a cimeira extraordinária de líderes europeus que se realiza esta quinta-feira em Bruxelas, António Costa disse que será uma reunião "de consulta e diálogo entre todos os líderes" e reiterou que a UE defende "o princípio do respeito pela soberania e integridade territorial para todos os Estados, por maioria de razão aos Estados-membros".

Temos "total empenho em dialogar com os Estados Unidos, mas obviamente não podemos estar a ser ameaçados e temos instrumentos anti-coerção que, se for necessário utilizar, devem ser utilizados. São os instrumentos legais que existem", disse.

Questionado se acha que se chegará a esse ponto, António Costa respondeu: "Espero que não".

"E o facto de o Presidente Trump já ter anunciado que, pelo menos, uma das formas de aproximação está excluída, acho que isso é um passo positivo e que o diálogo deve prosseguir", disse.

Sobre o encontro entre Trump e Volodymyr Zelensky à margem do Fórum de Davos, Costa disse que é "sempre bom quando dois líderes internacionais se encontram e falam", considerando que "isso é meio caminho andado para se poderem entender e para se poder avançar".

"Espero que essa conversa seja mais um passo em direção à paz, porque ninguém mais do que os ucranianos, ninguém mais do que os europeus anseiam para que tenhamos uma paz o mais rápido possível", disse.

Nestas declarações aos jornalistas, António Costa foi ainda questionado sobre o facto de, em entrevista à RTP, ter sugerido que irá votar em António José Seguro na segunda volta das presidenciais, declarando que votará no candidato da "área democrática".

"Como sabem, estou impedido de intervir na política interna portuguesa. Obviamente não faço nenhum comentário. Não fiz na primeira volta, não faço nesta segunda volta. Irei votar como já votei na primeira volta", respondeu.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, excluiu hoje, em Davos (Suíça), o recurso à força para assumir o controlo da Gronelândia, mas reiterou a intenção de adquirir o território autónomo dinamarquês por considerar que só os Estados Unidos o podem proteger.

"Provavelmente não conseguiremos nada, a menos que decida usar força e violência excessivas, o que nos tornaria, francamente, imparáveis. Mas não farei isso. Ok. Agora todos dizem 'Oh, que bom'. Essa foi provavelmente a maior declaração que fiz, porque as pessoas pensavam que eu iria usar a força. Não tenho de usar a força. Não quero usar a força. Não vou usar a força", disse Trump, dirigindo-se ao Fórum Económico Mundial, a decorrer em Davos.