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Madeira

“Ainda tenciono dar um pulinho à Madeira”

Marcelo Rebelo de Sousa reuniu com eurodeputados a quem transmitiu “orgulho pelo peso que Portugal tem na Europa e no mundo”

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Na despedida das instituições europeias, Marcelo Rebelo de Sousa deixa claro que pode haver  mais momentos de manifestação de gratidão aos portugueses.

Confrontado pelo DIÁRIO se ainda teria tempo para se despedir de algumas regiões de Portugal, inclusive da Madeira, o Presidente da República admitiu outras viagens. “Ainda tenciono. Era para ter ido à Madeira, como sabe, não fui por razões de doença. Mas ainda tenciono dar um pulinho à Madeira e se puder um pulinho aos Açores, de facto. Mas vamos ver, agora são tantos pulinhos em tão pouco tempo que não sei como é que meto tudo em 43 dias”.

Uma garantia dada no Parlamento Europeu,  após reunião de 45 minutos com os eurodeputados portugueses, a quem manifestou “grande orgulho pelo peso que Portugal tem na Europa e no mundo” e também patriotismo, pois entende que  so parlamentares portugueses, independentemente dos partidos, quando chegam às questões vitais para o país e para a posição do país na Europa e o que a Europa pode fazer no mundo, percebem como é importante, dentro da diversidade de opiniões, convergirem”.

Quanto à grandeza nacional na UE, dá exemplos. “Tivemos um presidente do Conselho Europeu, tivemos um presidente da Comissão Europeia, tivemos presidente do Tribunal de Contas, tivemos vice-presidente do Banco Central Europeu, tivemos altos cargos no Poder Judicial Europeu, temos uma provedora de justiça europeia. Isto é Portugal. E tivemos sempre no Parlamento Europeu, como na Comissão, tivemos sempre, como no Conselho, através dos governantes do país, gente muito prestigiada e muito influente. E isto é um grande orgulho para o presidente da República Portuguesa e é um grande triunfo para Portugal que só consegue ter em posição chave no mundo e na Europa pelo mérito dos próprios e pelo prestígio que Portugal pois  fazemos pontes impossíveis, fazemos plataformas que outros não fazem, falamos com todos, fazemos sopa de pedra, às vezes sem ingredientes”. Quanto à convergência de posicionamentos num contexto de grandes divergências entre as diversas instituições europeias, entende que ninguém vai acabar à pedrada: “Isso é outra característica que nós temos. As pedradas mesmo quando são entre portugueses, descobre-se que são com pedra mola, é uma pedra de lios, calcária, que é muito mais flexível e maleável, e que não fere tanto as outras pedras”.

Num encontro com os jornalistas, Marcelo Rebelo de Sousa  aproveitou para reafirmar que a UE é a concretização de um sonho da sua geração, avisando os mais jovens de que a UE "não é um dado adquirido". Como dá "um trabalhão enorme", desejava o regresso do antigo aliado, o Reino Unido. “Naquela noite em que se soube o resultado do Brexit, eu tive um grande desgosto, porque achava que o Reino Unido fazia muita falta à Europa. Eu não mudei de ideias e mantenho isso”, confessou.

O Presidente da República evitou fazer tum balanço dos seus 10 anos em Belém, assumindo que essa é tarefa que deixa para os analistas. “Eu reformei-me como analista, já perdi a mão”, ironizou o antigo comentador televisivo.

Quando estiveram desalinhados Europa e EUA "pagaram preço enorme"

Noutro domínio, o Presidente da República recordou hoje que sempre que a Europa e os Estados Unidos estiveram desalinhados "pagaram um preço enorme" e frisou que as negociações de paz na Ucrânia mostram que é possível ambos chegarem a convergências.

 Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que gostaria que a aliança com os Estados Unidos fosse "a 100%, permanentemente", o que significa "procurar as convergências para além das divergências, na parte financeira, política, diplomática, estratégica".

Sem querer atribuir responsabilidades ao facto de as relações com os Estados Unidos não estarem atualmente "a 100%", o Presidente da República afirmou que a Europa "deve fazer tudo para desempenhar um papel construtivo" na relação, e disse esperar "que os aliados correspondam a essa vontade europeia".

"Vamos imaginar: há uma necessidade, como houve, de haver um encontro de posições entre a Europa e os Estados Unidos da América relativamente à Ucrânia. Foram dados passos de convergência recentes. Quer dizer que é possível", exemplificou.

Depois, numa aparente alusão às ameaças de Donald Trump sobre a Gronelândia, que não mencionou diretamente, Marcelo Rebelo de Sousa frisou que, se foi possível encontrar pontos de convergência sobre a Ucrânia, também "é possível, por maioria de razão, noutras situações".

"Noutras situações que podem ser bombos de discórdia, porque dizem respeito ou a Estados europeus, ou à vida interna da Europa, ou ao relacionamento económico e financeiro. Se é possível num caso, porque é que não é possível no outro?", perguntou.

Marcelo Rebelo de Sousa salientou que essas convergências são "do interesse das duas partes".

O Presidente da República frisou que a Europa "tem todo o interesse em que, nessa aliança/parceria com os Estados Unidos da América, se procurem formas de colaborar com os Estados Unidos para eles que se sintam mais seguros como Estado na relação com outras potências mais significativas".

"Mas também os Estados Unidos da América só têm a ganhar com o facto de criar um relacionamento com a Europa que signifique uma procura em conjunto, conjugada, da melhor maneira de atuar no domínio da Defesa, da segurança, da economia, das finanças, da geopolítica", disse.

Marcelo salientou que "foi sempre assim", com exceção do período entre as duas guerras mundiais.

"Se foi sempre assim, porque é que há de acabar de ser assim?", questionou, antes de recordar que nessa vez em que a Europa e os Estados Unidos estiveram desalinhados, "cada um deles pagou um preço enorme".

"Os Estados Unidos da América pagaram um preço enormíssimo: o Plano Marshall e outros apoios fundamentais para ajudar a pôr a Europa de pé. A Europa pagou um preço enorme foi não ouvir uma parte daquele que podia ter ouvido e feito, uma parte da Europa contra outra parte da Europa em relação a democracia, à liberdade e ao Estado de Direito", referiu.

Marcelo Rebelo de Sousa sugeriu ainda que as alianças vão para lá das personalidades que as compõem, afirmando não conhecer "nenhum ser humano que seja eterno" e que "a grande vantagem das instituições é que duram para além dos seres humanos".

"As instituições não servem seres humanos senão transitoriamente e os seres humanos servem instituições que acabam, com a lição da História, por se mais duradouras", disse.

O Presidente da República frisou ainda que a Europa representa um "conjunto de valores universais", como o Estado de Direito, e, "no mundo que já não vamos dizer multilateral, mas multipolar, em que há vários polos, é evidente que o polo Europa tem aspetos que são inegáveis".

"É um grande mercado, uma das maiores potências comerciais. O natural é que estas realidades sejam reconhecidas. E o bom, mais do que natural, é tirar proveito delas", disse, frisando que isso significa ter "relacionamento bons entre a Europa e os parceiros tradicionais, que são vários", dando o exemplo do Reino Unido.