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A Guerra Mundo

Tribunal russo condena uzbeque a pena perpétua por morte de general

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Um tribunal militar russo condenou hoje um cidadão uzbeque a prisão perpétua pelo assassínio, em 2024, do general russo Igor Kirillov, num atentado que Moscovo afirma ter sido ordenado pelos serviços de informação ucranianos.

Akhmadjon Kurbonov foi considerado culpado da morte de Kirillov e de outro oficial, Ilya Polikarpov, através da detonação de uma bomba escondida numa moto elétrica.

Outros três arguidos acusados de cumplicidade receberam penas pesadas, de acordo com a agência russa RIA Novosti: Robert Safarian foi condenado a 25 anos de prisão, Batukhan Tochiev a 22 anos e Ramazan Padiev a 18 anos.

O atentado ocorreu na manhã de 17 de dezembro de 2024, quando o general Igor Kirillov, de 54 anos, saía de casa acompanhado por Ilya Polikarpov, tendo ambos morrido na explosão do engenho improvisado.

Segundo o Comité de Investigação da Rússia, o ataque foi "ordenado e organizado" pelos serviços de informação da Ucrânia, que terão introduzido na Rússia, a partir da Polónia, os componentes do explosivo.

Após o assassínio, o Presidente russo, Vladimir Putin, reconheceu publicamente uma falha nos serviços de segurança, numa declaração invulgar.

De acordo com os investigadores, Kurbonov terá recebido a promessa de 100 mil dólares (cerca de 80 mil euros) e a possibilidade de fuga para um país europeu em troca da execução do atentado.

Num vídeo divulgado pelo Serviço Federal de Segurança (FSB), o arguido confessou ter montado a bomba, colocado o engenho em frente ao edifício onde vivia o general e acionado a explosão à distância.

As autoridades russas indicaram que Robert Safarian terá guardado componentes do explosivo na sua residência antes de os entregar a Kurbonov, enquanto Batukhan Tochiev e Ramazan Padiev são acusados de lhe terem alugado um quarto e de terem recebido dinheiro proveniente dos organizadores do ataque.

Igor Kirillov era comandante das forças russas de defesa química, radiológica e biológica e tornou-se conhecido pelas suas frequentes acusações aos Estados Unidos de prepararem o uso de armas biológicas contra a Rússia na Ucrânia.

O general foi sancionado pelo Reino Unido em outubro de 2024 por alegada utilização de armas químicas na Ucrânia, acusações que Moscovo rejeitou repetidamente.

Desde o início da guerra, em 2022, vários altos responsáveis russos, dirigentes instalados nos territórios ucranianos ocupados e apoiantes ideológicos da ofensiva russa foram mortos em ataques atribuídos a Kiev.