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"Nunca desistiremos da Europa"

Discurso do Presidente da República no Parlamento Europeu assinalou 40 anos de adesão europeia

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António Costa e Paulo rangel marcaram presença na cerimónia

Marcelo Rebelo de Sousa evita alinhar na “moda do momento” que se destina a “esquecer, minimizar, diminuir a Europa e o seu papel no mundo”. Daí que na sessão solene comemorativa dos 40 anos da adesão de Portugal e Espanha à então Comunidade Económica Europeia (CEE) que decorre no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, o Presidente da República tenha garantido que importa “não perder um segundo a hesitar, a duvidar, a autoflagelarmo-nos”. E porquê?

"É que temos mais Liberdade, Democracia, Estado de Direito. Muitos de nós estão em lugar cimeiro do Desenvolvimento Humano e dos padrões de igualdade social. Temos um mercado dos maiores do mundo. Garantimos condições de vida comparativamente superiores à generalidade dos Estados. Somos um destino sonhado por tantos, de todos os continentes", assume.

Neste quadro deixa uma garantia: “Nós portugueses, nunca, mas nunca mesmo, desistiremos da Europa. Porque desistir da Europa seria, para Portugal, desistir de uma parte essencial e insubstituível de Portugal”.

De salientar que os eurodeputados aplaudiram de pé a intervenção de Marcelo Rebelo de Sousa numa cerimónia que arrancou com um video alusivo aos 40 anos de adesão europeia de Portugal e Espanha.

Recados a Trump

No seu discurso de 15 minutos, o Presidente da República também avisou que quem tentar "refazer pela força a divisão do mundo em hemisférios como no passado" irá falhar e afirmou que as alianças "valem mais do que a espuma, mesmo sedutora, de cada dia".

"Não há quem consiga hoje refazer pela força a divisão do mundo em hemisférios como no passado e sonhar controlar o seu hemisfério, ou resolver problemas universais por si só. Falhará quem o tente no século XXI, como falharam outros no século XX", alertou, numa clara alusão às declarações do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, após a captura do chefe de Estado da Venezuela, Nicolás Maduro, no início de Janeiro, afirmou que "o domínio americano no hemisfério ocidental nunca mais será questionado".

Novamente numa alusão a Trump, o Presidente da República pediu que "não se invoque o bilateralismo, que verdadeiramente é unilateralismo - que é uma forma de enfraquecer o multilateralismo e as instituições internacionais - sem que quem deseja exercer essa hegemonia, esse controlo, tenha condições para o fazer como sonha ou afirma".

"E não há como fazê-lo ignorando a Europa, o seu poder nos valores, na justiça social e na economia mundial porque a Europa ainda é e será sempre o berço da democracia, o farol das liberdades, o esteio do Estado de Direito, a referência do estado social", afirmou.

Perante os eurodeputados e o Rei de Espanha, que também discursou nesta sessão, bem como perante o presidente do Conselho Europeu, António Costa e o Ministros do Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, Marcelo Rebelo de Sousa salientou que os portugueses "são europeus sempre, transatlânticos sempre, universais sempre".

"Avancemos, pois, recriemo-nos no que for necessário, que os aliados e os parceiros que desejamos virão, como sempre vieram, quando entenderem que não há senhores únicos do globo, que não há poderes eternos e que as nossas alianças e parcerias valem mais do que a espuma, mesmo espectacular, mesmo sedutora, de cada dia", disse, recebendo fortes aplausos do hemiciclo.

Pedidos diversos

Marcelo também referiu que Europa é um "destino sonhado por tantos, de todos os continentes". E embora saiba que tudo isso não basta. e que por vezes "perdemos por vezes tempo e temos de fazer mais e melhor",  defendeu que é necessária "mais juventude, mais tecnologia, mais segurança comum, mais crescimento, mais capacidade de mudança dos sistemas políticos" e "mais futuro".

"Tratemos disso. Com prioridade e com urgência. Contemos, antes de mais, connosco, nós próprios, que temos de acreditar na Europa livre, igualitária e democrática", frisou.

O Presidente da República pediu que se reconstrua a Europa "sem medos, sem inibições, sem complexos".

"Tudo o que se possa dizer das comunidades europeias, hoje UE, de crítico, falível, de errado, de insuficiente - que há muito - é nada comparado com aquilo que lhe devemos", disse.

Depois, abordando as alianças de Portugal, Marcelo frisou que o país, para além da União Europeia, é aliado do Reino Unido "há quase 650 anos" e disse preferir que o país "estivesse ainda mais com a UE do muito que já está".

"Temos os Estados Unidos, cuja independência Portugal foi o primeiro Estado europeu - salvo a França, portanto o primeiro Estado neutral -, a reconhecer, e preferiríamos que fossemos sempre aliados a cem por cento e não com hiatos, intermitências ou estados de alma", disse.

Não há "portugueses puros, mas diversos"

O Presidente da República afirmou também que "não há portugueses puros, há portugueses diversos", frisando que o país se formou "num caldo de etnias, de culturas e de religiões".

Marcelo Rebelo de Sousa salientou que o Reino de Portugal "nasceu na Europa e nasceu de linhagens europeias", recordando a ligação materna de D. Afonso Henriques ao Reino de Leão, que mais tarde "formaria o Reino de Espanha", e paterna ao Duque de Borgonha, "que ajudaria a formar o Reino de França".

"Mas nasceu também de linhagens vindas de outras Europas, do Norte, do Sul, do Oeste e do Leste. E de África e das Ásias. Mais tarde, das Américas e das Oceanias. Num caldo de etnias, culturas e religiões", afirmou.

O Presidente da República frisou que os portugueses são "europeus desde as raízes", mas essas "raízes mesclaram-se, logo à partida, com as de outros continentes e outros universos".

"Por isso, não há portugueses puros. Há portugueses diversos, na sua riqueza cultural", afirmou, recebendo um aplauso de alguns eurodeputados.

Marcelo Rebelo de Sousa acrescentou que os portugueses são "europeus na língua, na cultura, na História". "E, porque europeus, universais", disse.