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Ameaças de Trump de aumento de tarifas "não alteram" a posição gronelandesa

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FOTO LISELOTTE SABROE/EPA

As ameaças de sobretaxas aduaneiras agitadas por Donald Trump não alteram a posição da Gronelândia, atenta ao seu direito à autodeterminação face às ambições dos Estados Unidos, afirmou hoje o presidente do Governo autónomo gronelandês, Jens-Frederik Nielsen.

Numa mensagem publicada no Facebook, Nielsen disse congratular-se com o apoio de países estrangeiros, encarado "não como uma ingerência, mas como um reconhecimento claro de que a Gronelândia é uma sociedade democrática, com o direito de tomar sozinha as suas próprias decisões".

"As mais recentes declarações dos Estados Unidos, incluindo as ameaças de imposição de direitos aduaneiros, não alteram em nada esta linha. Não nos deixaremos pressionar. Não nos deixamos pressionar. Mantemo-nos firmes no diálogo, no respeito e no direito internacional", escreveu Nielsen.

O líder groenlandês agradeceu o apoio de vários países europeus, que interpreta "como um reconhecimento de que a Gronelândia é uma sociedade democrática, com o direito de tomar as suas próprias decisões".

Nielsen manifestou-se também grato aos milhares de pessoas que no passado sábado se manifestaram a favor da ilha, tanto na Dinamarca como no território ártico.

"As manifestações aqui e na Dinamarca mostraram uma união forte. Muitas pessoas expressaram de forma pacífica o seu amor pelo nosso país e respeito pela nossa democracia", sublinhou.

Nielsen salientou ainda a importância da reunião que o ministro dos Negócios Estrangeiros da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, e a sua homóloga gronelandesa, Vivian Motzfeldt, mantêm hoje, em Bruxelas, com o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), Mark Rutte.

O encontro, prosseguiu, demonstra que a parte dinamarquesa assume a sua "responsabilidade" e insiste em que "o diálogo sobre a segurança no Ártico deve ser feito" com os gronelandeses, o seu papel e o seu país.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou no sábado passado impor tarifas aos oito países europeus que anunciaram o envio de tropas para a Gronelândia.

Esses países são a Alemanha, Finlândia, França, Noruega, Países Baixos, Suécia e Reino Unido, além da própria Dinamarca.

Estas nações justificaram o envio de soldados com a necessidade de reforçar a defesa do Ártico, que, segundo Trump, teria sido negligenciada nos últimos anos.

Os chefes de Estado e de Governo da União Europeia (UE) reúnem-se na quinta-feira, em Bruxelas, para abordar as relações transatlânticas, na sequência das tentativas dos Estados Unidos de assumirem o controlo da Gronelândia, indicou hoje uma porta-voz do presidente do Conselho Europeu, António Costa.

Trump anunciou no sábado que irá impor, a partir de 01 de fevereiro, uma tarifa de 10% sobre todos os produtos dos oito países europeus que enviaram tropas para a ilha, acrescentando que aumentará as tarifas para 25% em junho, mantendo-as em vigor até ser alcançado um acordo "para a compra total e plena da Gronelândia" por parte de Washington.