Economia regional continua a crescer mas moderadamente
IRAE de Outubro de 2025 revela manutenção da trajectória positiva que começou em Abril de 2021
Em Outubro de 2025, a economia regional da Madeira manteve a trajectória de crescimento iniciada há 55 meses, embora no referido mês esteja num ritmo mais moderado, segundo dados divulgados esta quinta-feira pela Direção Regional de Estatística da Madeira (DREM). "O Indicador Regional de Atividade Económica (IRAE) revela que, em Outubro de 2025, a atividade económica da Região Autónoma da Madeira (RAM) manteve uma trajetória de crescimento, embora com uma desaceleração face ao mês anterior", frisa.
Esclarece a DREM que "o IRAE está sujeito a revisão sempre que a informação final das Contas Regionais fica disponível. Assim, nesta divulgação procedeu-se ao seu recálculo, o que implicou a revisão dos valores anteriormente publicados".
E acrescenta: "Como a DREM referiu na primeira divulgação do IRAE, em Outubro de 2017, o objetivo do mesmo é 'sinalizar o comportamento da atividade económica, nomeadamente no que se refere à sua direção e magnitude das flutuações: se esta se encontra em terreno positivo ou negativo, as acelerações, desacelerações e a identificação de pontos de viragem'. O seu valor quantitativo, assume por isso uma importância secundária, não se apresentando o mesmo como um substituto da variação real do Produto Interno Bruto, a ser apurada com um conjunto mais variado e completo de informação estatística, muito embora haja uma forte correlação entre as duas variáveis."
Assim, são 7 variáveis/categorias que revelam o desempenho da economia regional, com altos e baixos, nomeadamente a 'Actividade Económica', 'Indicadores Qualitativos', 'Consumo Privado', 'Investimento', 'Procura Externa', 'Mercado de Trabalho' e 'Preços'.
Actividade Económica
- Como anteriormente referido, a atividade económica regional manteve-se em crescimento em outubro de 2025, ainda que com um ligeiro abrandamento face ao mês precedente.
- O número de dormidas nos alojamentos turísticos aumentou 4,3%, ligeiramente abaixo dos 4,4% observados em setembro. Os proveitos totais cresceram 16,5%, percentagem também inferior aos 17,5% registados no mês anterior, enquanto o RevPAR abrandou para 16,2%, após os 16,7% verificados em setembro.
- A emissão de energia elétrica reforçou a dinâmica de crescimento, registando uma variação positiva de 2,3%, superior aos 1,1% observados no mês precedente. Em sentido inverso, a introdução no consumo de gasóleo voltou a diminuir (-0,2%), embora de forma menos intensa do que a registada em setembro (-0,4%).
- Por sua vez, a relação entre sociedades constituídas e dissolvidas aumentou para 3,4 novas sociedades por cada dissolução, superando o rácio de 3,2 observado no mês anterior.
Indicadores Qualitativos
- Em outubro de 2025, os indicadores de confiança apresentaram evoluções diferenciadas entre os setores analisados. Observou-se uma melhoria na Construção e obras públicas, enquanto os setores da Indústria transformadora, do Comércio e dos Serviços registaram deteriorações nos respetivos níveis de confiança face ao mês precedente.
Consumo Privado
- Em outubro de 2025, a introdução no consumo de gasolina manteve-se em crescimento, registando uma variação homóloga de 9,9%, embora inferior à observada em setembro (10,8%), evidenciando um ligeiro abrandamento.
- O saldo dos empréstimos para consumo e outros fins concedidos às famílias e às instituições sem fins lucrativos ao serviço das famílias aumentou 8,7%, mantendo a tendência positiva verificada no mês anterior (8,6%).
- Relativamente aos levantamentos e compras através de terminais de pagamento automático (TPA) com cartões nacionais, estes cresceram 7,4%, desacelerando face aos 8,2% registados em setembro, mas permanecendo, ainda assim, em terreno claramente positivo.
- Por sua vez, as vendas de automóveis ligeiros de passageiros voltaram a registar uma redução muito acentuada (-34,8%), aprofundando a quebra observada no mês anterior (-33,9%).
Investimento
- Em outubro de 2025, os indicadores de investimento evidenciaram comportamentos distintos. As vendas de automóveis ligeiros de mercadorias registaram um crescimento expressivo (+14,3%), valor superior ao observado em setembro (+7,2%). Em sentido contrário, o saldo dos empréstimos concedidos a sociedades não financeiras diminuiu 1,2%, após ter apresentado uma variação nula no mês precedente.
- A comercialização de cimento regressou a terreno negativo, com uma variação homóloga de -4,5%, depois de ter crescido 1,1% em setembro. Já a avaliação bancária da habitação manteve uma evolução positiva, crescendo 17,1%, em linha com os níveis elevados registados nos últimos meses.
- No que se refere ao número de edifícios licenciados, verificou-se um crescimento de 7,5%, evidenciando um abrandamento considerável face aos aumentos mais expressivos observados nos meses anteriores.
Procura Externa
- Em outubro de 2025, as exportações regionais de bens aumentaram 43,6%, permanecendo em níveis elevados, mas abaixo das variações acentuadas registadas nos meses anteriores. Em contrapartida, as importações de bens registaram uma diminuição de 2,3%, após o crescimento de 1,0% observado em setembro.
- O movimento de mercadorias nos portos da Região apresentou um crescimento significativo de 6,8%, após a variação marginal de 0,1% registada no mês precedente. O tráfego de passageiros nos aeroportos regionais manteve uma trajetória de crescimento robusta, aumentando 15,2% (+15,7% em setembro de 2025).
- Por sua vez, os levantamentos e compras através de TPA com cartões internacionais cresceram 7,7%, acelerando ligeiramente face aos 7,4% observados em setembro.
Mercado de Trabalho
- Em outubro de 2025, o número de desempregados inscritos diminuiu 12,2% (-12,3% em setembro).
- Os pedidos de emprego registaram igualmente uma diminuição (-11,6%), confirmando a continuidade da tendência de recuo. Em sentido inverso, as ofertas de emprego agravaram a quebra, registando uma variação homóloga de -7,5%, após a redução de 1,0% observada em setembro.
Preços
- Em outubro de 2025, a taxa de variação homóloga do Índice de Preços no Consumidor (IPC) acelerou para 3,9%, após os 3,0% registados no mês precedente.
- A inflação dos bens situou-se em 2,3%, enquanto a dos serviços registou uma aceleração mais marcada, atingindo 6,0%.
- Por fim, a inflação subjacente - que exclui os produtos alimentares não transformados e energéticos - subiu para 3,8% em outubro de 2025, acima dos 2,4% observados no mês anterior.