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Bastonária dos Psicólogos diz que resposta ao vício do jogo exige monitorização

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Foto Shutterstock

A bastonária da Ordem dos Psicólogos (OP) considerou ontem que a resposta ao jogo problemático exige monitorização contínua, equipas especializadas e medidas de redução de danos, alertando que "as equipas multidisciplinares não são um vale tudo".

"É importante haver mecanismos de monitorização constante", afirmou Sofia Ramalho, numa audição na comissão parlamentar de Economia e Coesão Territorial.

De acordo com a bastonária da OP, a falta de monitorização é uma das falhas recorrentes nas estratégias adotadas para lidar com comportamentos aditivos.

Na audição, requerida pelo Livre no âmbito da discussão dos projetos de lei que visam restringir a publicidade a jogos e apostas, proibir patrocínios do setor e impor advertências sobre o potencial aditivo, Sofia Ramalho reconheceu que as equipas multidisciplinares têm sido reforçadas, avisando, no entanto, para um risco crescente.

"Não podemos ter equipas multidisciplinares onde toda a gente faz tudo", realçou.

A bastonária descreveu situações em que, perante a ausência de psicólogos, outros profissionais assumem intervenções para as quais não têm formação especializada.

"Quando é necessário intervir, na ausência do psicólogo, quem é que lá vai? Quem não é especialista", afirmou, acrescentando que o mesmo acontece nas equipas comunitárias de saúde mental, detalhando a escassez de recursos humanos no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Sofia Ramalho recordou que o SNS atualmente tem "1.100 psicólogos, pouco mais de 400 nos cuidados de saúde primários e pouco mais de 400 nos centros hospitalares". A maioria é especialista na área da clínica e da saúde, enquanto "o grande grosso de psicólogos especialistas avançados nesta área das dependências está no ICAD [Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências]", fora do SNS.

"Para uma população de 10 milhões, para uma aposta de intervenção que deve ser muito mais preventiva, até no sentido de desenvolver competências nas pessoas, (...) somos muito, muito poucos, no contexto do SNS", lamentou.

A bastonária da Ordem dos Psicólogos reforçou que o jogo problemático é uma questão de saúde pública com impacto profundo nas famílias, na vida económica e no próprio SNS.

"É muito significativo para pôr em causa a vida de trabalho das famílias e é um custo muito significativo para o SNS", sublinhou.

Sofia Ramalho defendeu ainda que a regulação do jogo e das plataformas digitais deve integrar saúde, educação e consumo digital, alertando que "há soluções menos arriscadas do que proibir".

"É importante que haja aqui uma integração das políticas da saúde, da educação e do próprio consumo digital", referiu, acrescentando que, além da prevenção nas escolas, é necessário atuar "do ponto de vista da lei e da gestão das próprias plataformas".

A bastonária da Ordem dos Psicólogos sustentou que a resposta aos comportamentos aditivos ligados ao jogo e ao uso digital deve combinar intervenção individual e mudanças no contexto.

"É possível trabalhar a autorregulação numa perspetiva de contexto, porque este também é um problema que tem muito mais que ver com o contexto", disse, realçando que políticas de proibição não desenvolvem competências de autorregulação

Defendendo mais literacia, Sofia Ramalho alertou ainda que os mecanismos digitais de recompensa aceleram a dependência do jogo.

"Os intervalos entre as apostas e o receber a recompensa são muito curtos", afirmou, vincando que no digital "a recompensa é mais imediata e produz muito mais efeito", o que "aumenta muito mais a dimensão da dependência".