Nem a chuva nem a qualidade dos candidatos desmobilizou eleitores em Lisboa
O voto antecipado reuniu hoje de manhã na Cidade Universitária, em Lisboa, várias centenas de pessoas empenhadas em cumprir "um dever cívico", apesar da insatisfação relativamente aos candidatos e à campanha para as eleições presidenciais.
Nem a chuva 'miudinha', mas ininterrupta, que caiu em Lisboa afastou os eleitores da Cidade Universitária, com as filas a formarem-se essencialmente no exterior, enquanto se tentava encontrar um sítio mais próximo da secção de voto para estacionar.
Entre os 27.653 inscritos para votar em mobilidade nas 118 secções de voto da capital portuguesa, distribuídas por sete edifícios daquele polo universitário, estava Nuno Soares, que, por não estar em Lisboa no dia 18, data das eleições presidenciais, votou hoje.
"É um dever cívico. Quer se concorde ou não com quem esteja a concorrer, temos essa obrigação", resumiu à agência Lusa.
Para o eleitor de 64 anos, o voto antecipado pode contribuir para uma menor abstenção, mesmo que "um dos problemas que Portugal tem" seja o facto de os cidadãos se alhearam das suas responsabilidades".
"Se é um direito que temos, temos de vir", insistiu.
Nuno Soares não deixou de votar mesmo considerando que o nível dos candidatos está aquém de anteriores eleições presidenciais e que a campanha tem sido pouco esclarecedora.
"Viu-se uma conversa vazia, de nada, de ataque por ataque, em vez de porem algo no programa", notou.
Crítica semelhante foi feita por Leonardo Conceição, para quem a campanha presidencial, e muito concretamente os debates televisivos, tiveram um 'quê' de dérbi futebolístico.
"Talvez fizesse falta um debate mais substantivo sobre as várias propostas e menos um Benfica-Sporting. Colocar dois candidatos frente a frente não me parece a melhor solução. Seria talvez preferível definir temas e colocar os candidatos a fazer o mesmo número de debates, mas sobre determinado tema", argumentou.
O eleitor de 70 anos, que se deslocou hoje à Cidade Universitária por não saber se estaria em Lisboa no dia 18, admitiu não se ter sentido esclarecido durante a campanha: "Não sou clubista, nem na política nem no futebol".
Também Maria Leonor Castro confessou à Lusa que os 11 candidatos não são muito do seu agrado.
"Acho que já tivemos melhores dias quanto a Presidentes da República. Vivemos tempos maus no mundo e em Portugal também", pontuou, dizendo não acreditar que o voto antecipado contribua para que haja uma menor abstenção.
"Os motivos da abstenção são mais profundos. Obviamente que facilita a quem não está [no local de recenseamento], como é o meu caso", pontuou.
Nem o número de candidatos, um recorde, terá qualquer influência na abstenção, na opinião desta eleitora de 72 anos.
"O que influencia é a qualidade dos candidatos e não o número. E eu acho que, neste caso, o número não compensa a falta de qualidade dos mesmos", concluiu.
A campanha foi igualmente "mais ou menos esclarecedora" para a jovem Sofia Saavedra, que votou hoje pela segunda vez na vida, depois de se ter estreado nas autárquicas.
"Acho muito importante o voto, tem um impacto muito grande no nosso país e foi por isso que vim votar antecipadamente", contou à Lusa.
Caso não se tivesse inscrito no voto em mobilidade, a jovem de 18 anos deslocar-se-ia ao Algarve no dia 18, "se não tivesse exames", uma vez que sente que "é uma diferença muito grande" poder exercer este direito.
"Quando somos mais novos, não temos noção do impacto que temos. É mesmo muito importante votar", resumiu Sofia Saavedra.