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Crónicas

Eleições Presidenciais, a reta final

Começa a decidir-se hoje o resultado desta longa corrida à sucessão de Marcelo Rebelo de Sousa. Hoje espera-se que votem mais de 200.000 portugueses que podem fazer a diferença numa votação que todas as previsões apontam vir a ser muito equilibrada. Também quanto a isso cá estaremos para ver porque me parece que a diferença do primeiro para o quinto não será assim tão curta como apontam as sondagens. Como preâmbulo aproveito para deixar uma crítica e um elogio. Crítica ao dia de reflexão que faz cada vez menos sentido. É assim como a mudança da hora, já ninguém compreende mas tarda em ser alterado. Elogio à possibilidade de voto antecipado, permitindo uma opção a quem não pode no próprio dia. Devemos criar sempre as melhores condições para que mais pessoas votem tornando assim o resultado mais real e aproximado da vontade da maioria. Indo direto ao assunto, do que vou falando com amigos e conhecidos penso que ainda existe muita gente indecisa. Não indecisa sobre todos, que sabem perfeitamente em quem não vão votar mas que ainda balançam entre dois ou três que possam merecer a cruzinha mágica.

Há quem ache que entre os candidatos não há ninguém com capacidades para o cargo. Eu pelo contrário gosto de ver pela positiva. Temos um amplo leque de candidatos, todos bem diferentes uns dos outros e sentimos verdadeiramente que no meio de tanto equilíbrio o nosso voto pode fazer a diferença. Espero e desejo que esse sentimento faça desta uma votação histórica em termos de afluência. Não há praia nem férias para atrapalhar e têm duas datas por onde escolher. Não há desculpa. Para quem gosta de acompanhar política, esta tem sido uma corrida bem animada com derrotados e vencedores antecipados que se vão alterando ao longo do tempo. Acredito que o poder de mobilização de cada um fará a diferença. Os que conseguirem mobilizar o seu eleitorado de forma mais contundente passarão à segunda volta. Dentro destes penso que se André Ventura for um dos dois estará encontrado o novo Presidente. Será o outro porque grande parte do país votará sempre contra o candidato do Chega. Será por isso uma primeira volta para se votar no candidato preferido e uma segunda provavelmente para se votar contra alguém, o que diga-se não é bom para a legitimidade do próximo vencedor.

Se não for Ventura a passar e se for António José Seguro também acredito que a vitória não lhe irá escapar. Não vejo a direita a unir-se em torno de um candidato seja ele qual for da mesma forma que fará a esquerda. Para além disso existe muita gente de centro direita que nutre simpatia pelo candidato apoiado pelo PS e que não votaria em Marques Mendes nem que este fosse o único e não fosse Cotrim de Figueiredo ter entrado na eleição para baralhar as contas, seria quase seguro que o ex líder do PS sairia vencedor. Por isso o meu prognóstico mesmo sabendo que corro o risco de errar é que o próximo presidente da República Portuguesa será ou Seguro ou Cotrim de Figueiredo. O que não me parece nada mau para o país. Um candidato que tem como bandeira a honestidade, o equilíbrio e a moderação, outro que apresenta uma visão de futuro para Portugal. Não deixa de ter a sua piada quando há dois meses se discutia quem sairia vencedor entre Gouveia e Melo e Marques Mendes. E não deixa de ser curioso que os dois candidatos apoiados “quase” declaradamente pelos dois maiores canais de televisão estejam a perder gás.

Isto é resultado também da saturação das pessoas em relação aos comentadores e comentadeiros, às notas e notinhas como se estivéssemos num concurso de moda e à tentativa de condicionar a opinião pública que se vai mostrando cada vez menos eficaz, porque as pessoas pensam pela sua própria cabeça, estão mais informadas e não se deixam enganar nem ludibriar. Sendo certo que haverá uma segunda volta cá estaremos para perceber que surpresas nos reservam a noite quente de 18. Sim porque haverá certamente alguma…

Frases soltas:

O Mundo está mais indecifrável do que nunca. Os próximos meses prometem por isso ser muito animados. Se a queda de Maduro é uma boa notícia veremos o que virá a seguir. Qualquer tomada de posição de Trump sobre a Gronelândia exige uma resposta firme e coordenada da União Europeia sobre pena de se esvaziar o pouco que ainda resta. Se não vai lá pelos Estados talvez através das pessoas o resultado seja mais eficaz. Não seria despiciendo um boicote generalizado aos produtos americanos.

Enquanto se discute a Venezuela, a Ucrânia e a Gronelândia, no Irão está praticamente instaurada uma guerra civil e disso pouco se fala por cá. Talvez seja difícil de admitir para algumas cabeças pensantes que o problema de um país com uma cultura tão rica vai muito para além da opressão israelita e americana. O povo mais uma vez a dar o exemplo.