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A Guerra Mundo

Mães e crianças ucranianas aterram em Lisboa para três semanas de recuperação em Portugal

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Um grupo de mães e crianças familiares de soldados ucranianos mortos ou desaparecidos em combate aterrou hoje no aeroporto de Lisboa no âmbito de uma missão humanitária em que Portugal as acolhe durante três semanas, ajudando na reabilitação emocional.

"Acolhemos hoje 18 crianças e 15 mães que fogem dos horrores da guerra. Esta guerra que dura quase há quatro anos e que continua a tirar vidas, a destruir lares, a destruir famílias", afirmou a ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, em representação do primeiro-ministro, Luís Montenegro, na receção do grupo de vítimas da guerra na Ucrânia.

Depois de uma longa viagem de autocarro da Ucrânia para a Polónia e, depois, de avião de Varsóvia para Lisboa, estas mães ucranianas, acompanhadas dos filhos com idades entre os 5 e os 14 anos, e também uma avó, vão estar três semanas em Portugal.

O acolhimento é assegurado no Centro de Reabilitação Fénix, em Ourém, no distrito de Santarém, com várias atividades previstas por locais históricos e culturais do país, assim como reabilitação psicológica.

"Queremos dar-vos conforto, segurança, proteção e, acima de tudo, dignidade [...] que possam dormir em paz, sem receio das sirenes, sem receio das bombas, que possam recordar e levar este momento convosco, e que possa também servir de força para o futuro", disse Rita Alarcão Júdice às famílias ucranianas no auditório do aeroporto de Lisboa.

A ministra começou a intervenção com palavras em ucraniano para dizer que Portugal apoia a Ucrânia, num tentativa de quebrar a barreira linguística de quem não fala português nem inglês.

Esta missão humanitária é organizada pela associação Help UA.PT - Ukrainian Refugees UAPT, que há um ano proporcionou também a chegada de um grupo de soldados ucranianos para reabilitação em Portugal.

"Enquanto ministra da Justiça, não posso deixar de sublinhar que este acolhimento é também uma afirmação de valor, porque a justiça não se esgota nos tribunais, a justiça também se vive na defesa dos direitos humanos, na proteção dos mais vulneráveis, na não normalização da violência sobre qualquer pessoa, principalmente sobre as crianças", declarou.

Considerando que esta missão humanitária "é um exemplo notável" de como a sociedade civil pode fazer a diferença e transformar vidas, Rita Alarcão Júdice reforçou que "o Governo português mantém um apoio firme e contínuo à Ucrânia, quer no plano humanitário, quer no plano político, e também no plano internacional".

A ministra defendeu ser importante que esta iniciativa humanitária de apoio ao povo ucraniano se repeta, mas, desejavelmente, num contexto em que a guerra já tenha terminado, sublinhando que Portugal está "de braços abertos" no apoio à Ucrânia, inclusive numa futura integração na União Europeia.

O vice-presidente da associação Help UA.PT, Ângelo Neto, disse que há "quase um milhão de mães em estado de vulnerabilidade na Ucrânia", referindo que este projeto de reabilitação emocional e reintegração social de famílias afetadas pela guerra se iniciou no Reino Unido, que recebeu 400 famílias durante 2025, esperando que Portugal supere a meta de 500 famílias ucranianas apoiadas.

Como embaixadora desta associação de apoio aos refugiados ucranianos, vítimas da invasão da Rússia à Ucrânia desde fevereiro de 2022, a ex-deputada do PSD Teresa Leal Coelho fez parte da comitiva que viajou da Ucrânia, passando pela Polónia, até Lisboa.

O grupo de ucranianos acolhido em Portugal foi escolhido pelo Ministério da Defesa da Ucrânia e é oriundo do norte da Ucrânia, numa região fronteiriça com a Rússia, assinalada no mapa como Chernihivska, adiantou Teresa Leal Coelho, referindo que é uma zona que "está sempre em alerta vermelho" por perigo de bombardeamentos e é onde há muitas vítimas, órfãos e viúvas de guerra.

"A bravura corre-lhes no sangue. É impressionante como eles vivem em resiliência", expôs, contando que estas famílias ucranianas não querem sair da região onde vivem e "continuam com uma vida normal, apesar da guerra, apesar de passarem muitas noites em bunkers".

Durante as três semanas em Portugal, estas mães e crianças ucranianas vão ter várias atividades lúdicas, como visitar o Oceanário de Lisboa ou ir ao Museu da Presidência da República, assim como apoio psicológico, fisioterapia e hipoterapia, indicou Teresa Leal Coelho, adiantando que se prevê ainda uma visita do primeiro-ministro ao Centro de Reabilitação Fénix, em Ourém.