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Pequim acusa Presidente de Taiwan de promover a confrontação

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Foto EPA

A China acusou hoje o Presidente de Taiwan, William Lai, de promover o confronto entre as duas partes, reafirmando a sua oposição a qualquer iniciativa "independentista", em resposta ao discurso de Ano Novo proferido pelo líder taiwanês.

A resposta foi formulada pelo porta-voz do Gabinete de Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado (executivo) chinês Chen Binhua, em resposta a uma pergunta de jornalistas sobre a mensagem de Ano Novo de Lai, na qual o líder taiwanês alertou para o aumento da pressão da China e defendeu o reforço da defesa e da resiliência democrática da ilha.

Chen afirmou que o discurso de William Lai está repleto de "mentiras e delírios, hostilidade e malícia" e sustentou que o Presidente taiwanês volta a "divulgar falácias separatistas de 'independência de Taiwan'", com o objetivo, segundo Pequim, de "incitar a confrontação em ambos os lados do Estreito" e apresentar o debate em termos de "democracia versus autoritarismo".

O porta-voz afirmou que as palavras de Lai evidenciam a sua "recusa obstinada em abandonar a sua postura independentista" e classificou-o de "sabotador da paz, fabricante de crises e instigador da guerra", em declarações divulgadas pelos meios de comunicação oficiais chineses.

Segundo Chen Binhua, desde que assumiu o cargo Lai adotou políticas que, na opinião de Pequim, "agravam as tensões no Estreito de Taiwan" e promovem uma estratégia orientada para "preparar-se para a guerra em busca da independência", o que, afirmou, estaria a empurrar a ilha para um cenário de conflito armado.

O porta-voz também acusou o líder taiwanês de "desperdiçar o dinheiro arduamente ganho pela população" em prol de objetivos políticos.

No plano interno, Chen afirmou que Lai aplica um "governo autoritário" e denunciou o que descreveu como restrições às liberdades, deterioração do Estado de direito e a criação de um "efeito assustador" na sociedade taiwanesa, ao mesmo tempo que questionou que ele possa "falar de democracia e liberdade".

O porta-voz reiterou a posição de princípio de Pequim ao afirmar que "Taiwan faz parte da China" e que o objetivo de independência taiwanesa "está condenado ao fracasso".

Acrescentou que "a reunificação será inevitavelmente realizada" e pediu à população da ilha que "reconheça os danos da independência", se oponha à "ingerência externa" e trabalhe juntamente com o continente pela "paz e estabilidade no Estreito".

A reação chinesa surge após o discurso de Ano Novo de Lai, proferido num contexto de tensões militares persistentes, incluindo recentes manobras com fogo real do exército chinês, e diplomáticas em torno de Taiwan, uma ilha governada de forma autónoma desde 1949 e reivindicada por Pequim como parte do seu território.

Líder de Taiwan promete "defender firmemente" soberania após exercícios chineses

O Presidente de Taiwan, William Lai Ching-te, prometeu hoje "defender firmemente a soberania nacional" da ilha, em torno da qual as forças armadas chinesas realizaram bloqueios simulados e ataques a alvos marítimos esta semana.

"A minha posição sempre foi clara: defender firmemente a soberania nacional, reforçar a defesa nacional e a resiliência de toda a sociedade, estabelecer capacidades de dissuasão eficazes e construir mecanismos robustos de defesa democrática", disse Lai, num discurso transmitido pela televisão.

A China anunciou na quarta-feira ter concluído "com sucesso" dois dias de manobras militares em redor de Taiwan, que incluíram tiros reais e simulações de bloqueio de portos estratégicos da ilha.

O Presidente chinês, Xi Jinping, afirmou que o que descreveu como a 'reunificação' de Taiwan com a China continental não pode ser travada, num discurso à nação, pouco depois do anúncio do fim dos exercícios.

"A reunificação da nossa pátria não poderá ser impedida", declarou Xi Jinping, ao apresentar a mensagem de Ano Novo em Pequim.

O Governo de Taipé alega que a ilha nunca fez parte da China comunista e que as pretensões de soberania chinesas são ilegítimas.

Um porta-voz do Comando do Teatro Oriental do Exército Popular de Libertação indicou que foram concluídos com êxito os exercícios "Missão Justiça 2025".

Num comunicado, o porta-voz e capitão-de-fragata Li Xi advertiu que os soldados vão continuar o treino para "contrariar as tentativas dos separatistas a favor da 'independência de Taiwan' e a ingerência externa".

As manobras suscitaram condenações internacionais. O Japão considerou que os exercícios "exacerbam as tensões" na região, enquanto a Austrália os classificou como "desestabilizadores".

A União Europeia, a Alemanha e a França manifestaram igualmente preocupação e reiteraram o seu compromisso com a "estabilidade" internacional, enquanto as Filipinas expressaram "profunda preocupação".

Os exercícios chineses aconteceram 11 dias depois dos Estados Unidos aprovarem um plano recorde de venda de armas a Taiwan no valor de 11 mil milhões de dólares (9,3 mil milhões de euros), serviram para reforçar a pressão estratégica sobre Taipé através do estreitamento do cerco militar à ilha.

As manobras coincidem ainda com um agravamento das relações sino-japonesas, marcado nas últimas semanas por incidentes militares, trocas de protestos diplomáticos e medidas económicas punitivas.

A escalada foi desencadeada por declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, que afirmou, durante uma sessão parlamentar, que um eventual ataque chinês contra Taiwan poderia colocar o Japão numa "situação de crise", o que justificaria a intervenção das Forças de Autodefesa nipónicas.