"Os professores da Madeira estão mesmo descontentes"
Sindicato estima adesão à greve acima dos 50% no primeiro ciclo e pré-escolar
Em declarações aos jornalistas, Francisco Oliveira diz existir "vilão" dentro do Governo que está a travar acordo já "apalavrado" com a Secretaria da Educação
"Era muito mais cómodo para os sindicatos da Madeira associar esta greve à de ontem, mas não quisemos disfarçar aquilo que o Governo Regional tem de perceber: os professores da Madeira estão mesmo descontentes", declarou hoje o presidente do Sindicato dos Professores da Madeira (SPM).
Francisco Oliveira falava aos jornalistas, durante uma conferência de imprensa convocada para o final da manhã desta sexta-feira, na sede do sindicato, para balanço de adesão à greve regional dos docentes.
Segundo o dirigente, os números são expressivos. "A expressão que hoje temos da greve é muito significativa. E só não é muito maior porque aquilo que nós reivindicamos só vai abranger um terço dos professores", apontou.
Em relação às escolas do primeiro ciclo e pré-escolar, Francisco Oliveira situa a adesão à greve "acima dos 50%". "E, se formos ter em conta só os professores abrangidos, então andará bem acima dos 75%", vinca.
Já nas escolas do segundo, terceiro ciclo e secundário, os números "andam na casa dos 15% a 20%". Tendo em conta apenas o universo abrangido (portanto, um terço dos professores), a adesão sobe para "acima dos 30%".
O presidente do SPM refere ainda os exemplos de várias escolas afectadas pela greve, um pouco por toda a ilha: "a Escola do Covão e Vargem, em Câmara de Lobos, está a 100% em greve; a Escola Cruz Carvalho, no Funchal, atingiu 68%; o Salão, na Calheta, chegou tem 95% de professores em greve; a Fonte da Rocha, em Câmara de Lobos, alcançou 83%; a Escola de Santo António da Serra e Maroços, em Machico, registou 85%; Lombo de São João e São Paulo, na Ribeira Brava, atingiu 70%; a Secundária do Porto Santo tem mais de 50% dos professores em greve; Areeiro e Lombada, no Funchal, chegaram aos 75%". "E, depois, há muitas outras - como a Lourencinha, no Estreito de Câmara de Lobos - com números muito interessantes", acrescentou.
Na origem do descontamento dos professores está o incumprimento, por parte do Governo Regional, de um acordo já "apalavrado" com a Secretaria da Educação, que visava entre outras questões, a contabilização de vários tempos de serviço prestados para efeitos de progressão.
A culpa, aponta, Francisco Oliveira é de um "vilão" no seio do executivo, que está a travar acordo já "apalavrado" com a Secretaria da Educação:
Havia duas personagens que estavam em negociação. Essas personagens tinham chegado ao acordo. E quando estava a para ser assinado esse acordo, surgiu um vilão que não é a senhora secretária da Educação. Há-de ser alguém dentro do Governo, talvez o próprio presidente do Governo Regional, talvez o secretário das Finanças. Esse vilão está a impedir que o acordo seja assinado. Porque estava tudo apalavrado, confiámos todos uns nos outros e, de repente, não está a avançar aquilo que tinha de avançar. E, por isso, os professores estão muito aborrecidos
O SPM sublinha ainda que "não há nenhum documento em que o Governo Regional assuma o que vai concretizar a partir de 1 de Janeiro". E deixa um ultimato: "1 de Janeiro é a meta. Ou há alguma coisa, ou então em Janeiro teremos uma luta muito intensa".
Os professores na Madeira reivindicam: a contagem integral do tempo de serviço ainda não considerado; a eliminação das vagas para progressão na carreira; a vinculação justa e adequada ao contexto de falta de docentes; e a aplicação imediata das normas legais que garantem a progressão aos professores contratados, assegurando o cumprimento dos seus direitos.
Em 03 de Dezembro, o Sindicato de Professores da Madeira emitiu um pré-aviso de greve para o dia 12 de Dezembro, prevendo a paralisação total do trabalho.