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Regionais 2023 Madeira

Uma das mais difíceis campanhas para um cabeça-de-lista do PS-Madeira

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Sérgio Gonçalves teve a missão de protagonizar uma das mais difíceis campanhas de um cabeça-de-lista do PS, numas eleições regionais, não do ponto de vista dos meios disponíveis, nem do antagonismo nas ruas, mas decorrente dos resultados obtidos nas últimas eleições regionais.

Há quatro anos, com Paulo Cafôfo Cabeça-de-lista e sob a presidência de Emanuel Câmara, os socialistas conseguiram o melhor resultado de sempre. Mas, o contexto era outro. O PSD estava em baixa, ainda que em recuperação no momento das eleições, e o PS está motivado com a perspectiva de ganhar as eleições a um PSD enfraquecido.

Agora, o PSD, na companhia do CDS, está com mais força do que há quatro anos: o Governo é melhor visto do que então; o PSD ganhou a CMF e várias juntas de freguesias, que eram PS; e, agora, o envolvimento da estrutura nacional e até da regional do PS é mais modesto.

Ainda assim, Sérgio Gonçalves conseguiu, em campanha, um desempenho melhor do que se lhe antevia. Sem experiência a esse nível, soltou-se, ganhou ritmo. Abriu-se aos beijos e abraços e não se furtou à intensidade da rua.

Mas uma campanha não se faz com apenas uma pessoa. Sérgio Gonçalves tem tido a companhia de vários quadros, mas longe das participações de há quatro anos. Nas campanhas de rua, o número de participantes, muitas vezes, está longe do número de candidatos.

Por outro lado, o momento mais envolvente da campanha (pré-campanha) foi a Festa de Verão na Madalena do Mar. Com milhares de participantes, ainda que seja de admitir que muitos foram ao evento para ver Tony Carreira, a ocasião foi empolgante. No entanto, o partido e a candidatura não souberam ou não conseguiram manter o ritmo. A campanha decaiu, apesar do recrudescimento nas últimas duas semanas.

Mesmo nesta fase, terão sido cometidos alguns erros. Um deles foi de comunicação.

Nas duas semanas de campanha, Sérgio Gonçalves teve demasiados temas, algumas vezes, mais do que um no mesmo dia. Isso dificulta a passagem de uma ideia-chave, clara, capaz de influenciar os indecisos. Habitação, administração pública, pescas, aumento da Pontinha, baixa de impostos, saúde, pensões, programa eleitoral copiado, Albuquerque corta fitas, etc., etc., etc.

“Para resolver é preciso mudar o Governo”  Sérgio Gonçalves

Outro dos erros terá sido fazer o parta-a-porta quase exclusivamente durante o dia, a horas em que a maioria das pessoas não está em casa. À noite, o PS concentrou os jantares-comício, mas em salas de restaurante. É bom para dar a ideia de casa cheia, mas não cria a percepção de onda vitoriosa.

Bem esteve o PS e Sérgio Gonçalves ao concentrarem o combate político num alvo: PSD/Albuquerque. Para Este efeito e bem, o CDS não existiu.

Ainda do ponto de vista da comunicação, Sérgio Gonçalves esteve bem ao lutar contra o medo de mudar – a ideia-chave é de mudança – ‘É tempo de Mudar, Madeira’ - e ao garantir que: “Para resolver é preciso mudar o Governo.” Apesar disso, não é segura que repescar o slogan da Mudança, que, a seu tempo, produziu efeitos, tenha sido a melhor estratégia.

Entretanto, nesta semana, foram conhecidas sondagens com resultados desencorajadores para a candidatura do PS. Sérgio Gonçalves e os socialistas, para o exterior, não se deixaram abater. Mas, internamente, a preocupação cresceu. Resta o encerramento da campanha, hoje, no Parque de Santa Catarina, e esperar pelos resultados eleitorais.