Fact Check Madeira

Crescimento da criminalidade na Madeira está relacionado com o aumento de toxicodependentes?

None

A notícia que faz manchete na edição desta terça-feira, 9 de Maio, no DIÁRIO, revela que nos primeiros três meses do ano foram distribuídas, a toxicodependentes, mais de 10 mil seringas. Um leitor comentou que este é “Um indicativo muito mau...por um lado é bom se controlar a disseminação de doenças entre consumidores e na população de forma acidental, por outro lado é um número assustador de consumo de drogas...logo por aqui também se explica o crescimento brutal na criminalidade na Madeira e no aumento de todas as formas de violência”. Mas, será que existe uma relação entre o aumento da criminalidade na Região com a toxicodependência? Vejamos.

O primeiro facto a verificar é se realmente a criminalidade aumentou. No passado dia 16 de Abril, o DIÁRIO divulgou que a criminalidade violenta e grave na Madeira ‘disparou’. A notícia refere que "desde 2011 que a Madeira não registava um número tão elevado de casos reportados". Portanto, confirma-se que existe efectivamente um incremento da criminalidade na Região.

É de realçar também que no ano passado, as autoridades policiais registaram 6.810 crimes na Região Autónoma da Madeira, o que corresponde a um aumento de 22,4%.

Entre os crimes mais violentos e graves que cresceram na Madeira e Porto Santo, em 2022, está a ‘extorsão’ que cresceu 1.000%, a ‘violação’, com um aumento de 185,7% e o ‘roubo por esticão’ que conta com uma taxa de 77,3%.

Na notícia de 3 de Abril, deste ano, dá conta que os crimes mais participados dizem respeito à “condução de veículo com taxa de álcool igual ou superior a 1,2 g/l, violência doméstica contra cônjuge ou análogos, ofensa à integridade física voluntária e simples, furto de veículo motorizado, ameaça e coacção, furto de veículo motorizado, condução sem habilitação legal, furto oportunidade de objecto não guardado, furtos em residência com arrombamento, furto em edifícios comerciais com arrombamento, crimes de violência doméstica e burlas e tráfico de estupefacientes”.

Já relativamente à toxicodependência, especialmente as drogas consideradas baratas como 'bloom', não é possível aferir em concreto quantas pessoas consomem, mas Eduardo Lemos, director da Casa de Saúde São João de Deus, revelou em audiência parlamentar em Outubro último, que as novas substâncias psicoactivas têm aumentado “significativamente” na Madeira e que a pandemia ajudou a incrementar esta situação.

Segundo os dados mais recentes que o DIÁRIO teve acesso, em 2021 a Casa de Saúde São João de Deus registou 231 episódios e que nos primeiros seis meses de 2022, 110 pessoas haviam iniciado tratamento naquela instituição.

Portanto, é também afirmativo que os casos de toxicodependência têm aumentado na Região.

Existe relação entre estes dois factores? A realidade é que se torna imprecisa esta afirmação.

É verdade que a criminalidade aumentou e é também afirmativo que o número de internamentos por toxicodependência ascendeu nos últimos anos, mas nada confirma esta correlação.

Se for feita uma pequena pesquisa relativamente a toxicodependência e crimes praticados pelos mesmos, no arquivo do DIÁRIO, este ano existem duas notícias que referem que um furto poderá ter sido praticado por um consumidor de drogas.

Também no dia 7 de Fevereiro, o DIÁRIO dá conta de uma 'Montra partida e motossera roubada no Funchal'. O proprietário do estabelecimento comercial atribuiu a culpa a toxicodependentes. 

Já no JM, a notícia de capa do passado dia 5 de Fevereiro, dá conta do ‘flagelo’ das drogas que preocupa as zonas rurais, nas localidades mais distantes de Câmara de Lobos e Ribeira Brava. Na reportagem é referido que um grupo de toxicodependentes “quando não têm mais dinheiro para consumo, “vão às casas, roubam uns cântaros””.

Também a 4 de Fevereiro no mesmo jornal é noticiado que em zonas de São Roque os assaltos "voltaram", devido à "droga e das consequências da mesma".

A criminalidade aumentou na Madeira, assim como o número de internamentos por consumo de substâncias psicoactivas, mas não existe correlação entre estes dois factores para que possa ser afirmado que a criminalidade cresceu por causa dos toxicodependentes