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Porto Santo, with love

Porto Santo é um tesouro que é preciso acarinhar. Este ano o areal da praia não está no seu melhor

É Verão, tempo de descanso, de família, de reencontros, de amizade. Tempo de apreciar o que temos, com os nossos, com quem nos quer bem, e onde estamos bem. E como se está bem no Porto Santo, ilha dourada, de extenso areal, que todos os verões deixa saudades a quem lá passa, boas sensações que se vão repetindo ano após ano.

Não tenho dúvidas que o Porto Santo é a melhor praia de Portugal, a mais bonita e mais segura. Noto particularmente isso no meu filho, que quando lá chega e usufrui da praia e do magnífico mar azul-esverdeado, solta-se, alegra-se, fica feliz e deixa feliz os seus pais. Como é bom ter um tesouro destes tão perto.

Pus me a ler nesses dias os Contos Populares e Lendas das Ilhas da Madeira e do Porto Santo, de José Viale Moutinho, uma leitura simples e alegre, que nos deixa com um sorriso nos lábios ao ler as aventuras e desventuras destas terras. E como é rico este cancioneiro, que deve orgulhar todos os madeirenses e porto-santenses. Só a quietude e tranquilidade da ilha dourada permite esses capítulos. Aconselho a todos a leitura.

Mas dizia, o Porto Santo é um tesouro, que é preciso acarinhar, bem tratar, alindar. Este ano o areal da praia não está no seu melhor. Alguém porventura o esqueceu, deixando para outros anos o investimento que é sempre necessário fazer na sua reposição. Este seria um ano especial, com novas rotas aéreas, novos turistas, que se deveria ter acautelado e abrilhantado. Quem se esqueceu do Porto Santo, lá saberá o porquê, mas com mais ou menos calhau, com mais ou menos laje de rocha à vista, nada tira a sua beleza e a sua autenticidade.

Como em tudo na vida, há sempre o outro lado da moeda. A ilha não se faz apenas de visitantes, mas essencialmente de residentes. Cada vez menos todos os anos. A lentidão do tempo levou também a uma lentidão de quem lá governa, sem novidade nem mestria. Os jovens saem e emigram. Não voltam. Falta muita coisa, mas anuncia-se e propagandeia-se como se houvesse uma realidade alternativa, um estado de negação permanente, incentivando as dependências e dependentes. É pena.

O que escrevo não mancha a bela ilha. É apenas um lamento de quem por ela se enamorou, e com esperança que o futuro traga outras realidades.

O Porto Santo continuará sereno ano após ano a aguardar quem o visita, esperando também que nunca se esqueça, tal como a areia, quem lá vive. Foi ali que começou a História da Madeira, que se continue a ter sempre, todas as estações, momentos e memórias de se orgulhar.

É Verão, tempo de sol, de mar e de tranquilidade.

Adoro a ilha dourada, um postal de encantar.