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Vaticano encerra polémico caso de propriedade londrina

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O Vaticano anunciou sexta-feira que terminou a venda da propriedade londrina que tinha sido o foco de um processo criminal nos seus tribunais, alienando um antigo armazém da Harrod's por 186 milhões de libras (215 milhões de euros).

A Secretaria de Estado do Vaticano tinha aplicado 350 milhões de euros no edifício e em custos e comissões relacionadas a intermediários.

Estas perdas estão no coração de acusações de fraude, desfalque e extorsão contra 10 pessoas em tribunal.

O Vaticano disse que vendeu o armazém, situado no número 60, da Sloane Ave., em Chelsea, ao Bain Capital, uma sociedade de investimento privada, baseada em Boston, cofundada por um senador republicano dos EUA, Mitt Romney, depois de um concurso com 16 propostas e envolveu os consultores imobiliários Savills.

O escândalo sobre esta propriedade londrina abalou o Vaticano durante três anos e levou o papa Francisco a retirar à Secretaria de Estado uma carteira de ativos, avaliada em 600 milhões de euros, que tem sido gerido como um fundo soberano sem qualquer controlo interno ou externo.

Os testemunhos prestados durante o julgamento evidenciaram que as decisões de investimento eram tomadas essencialmente por uma única pessoa, monsenhor Alberto Perlasca, e confirmado pelo seu superior, o número dois na Secretaria de Estado, com o mínimo de assessoria ou aconselhamento financeiro externo.

Perlasca começou por ser o principal suspeito na investigação, mas mudou de posição e começou a colaborar com os procuradores. Agora, é uma testemunha chave para a acusação e foi-lhe concedido estatuto de parte ofendida no processo, capaz de recuperar perdas na eventualidade de condenações.

O dinheiro da Secretaria de Estado é agora gerido por outro serviço do Vaticano, APSA, que está sob a autoridade do Ministério da Economia, que controla a venda do imobiliário, depois de Francisco ter decidido vender o edifício, dado os danos financeiros e reputacionais que o negócio causou à Santa Sé.

Em comunicado de hoje, o Vaticano disse que as perdas sofridas no negócio, estimadas pelos procuradores acima de 200 milhões de euros, foram absorvidas pelos fundos de reserva da Secretaria de Estado. No texto sublinha-se que as perdas não afetaram o fundo que recolhe os donativos anuais dos fiéis para as atividades de caridade do papa e financiar a burocracia da Santa Sé.