A Guerra Madeira

“Ninguém vai lutar por nós!”

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O ucraniano Andriy vive na Madeira há seis anos e pede mais sanções para a Federação Russa. A guerra veio quebrar toda a confiança das instituições europeias no governo russo.

Andriy Petryna, ucraniano, vive na Região Autónoma da Madeira há cerca de seis anos, onde tem vindo a desenvolver actividade profissional como fotógrafo. “Não é um conflito, não é uma ocupação, o que se está a viver na Ucrânia é uma guerra. Uma guerra da Rússia contra a Ucrânia”, afirma, lembrando que, ao longo da história, nunca invadiram nenhum país e sempre procuraram viver em paz.

Com toda a família a viver na Ucrânia, à excepção da mulher e da filha, também na Região, é com muita apreensão que vê o escalar da violência na Ucrânia. Mas, pelo que conhece e pelo que vai falando com familiares e amigos, está certo de que todos estão dispostos a lutar pelo país. “Vamos defender a nossa terra. Temos tudo para dar luta”.

O apoio da União Europeia será, no seu entender, muito importante. Mas em relação ao envio de armamento, Andriy considera que é preciso que os militares saibam utilizar todo o equipamento. Há pessoas, sem experiência militar, que “estão dispostas a entrar na luta”. “Ninguém vai lutar por nós!”.

O fotógrafo explica que, mais do que nunca, os ucranianos estão interessados em fazer parte da União Europeia, por considerarem que isso vai conferir mais segurança e mais estabilidade, até financeira.

Quando vivia na Ucrânia, a cerca de 35 quilómetros da fronteira com a Rússia, confessa que sempre teve receio de uma possível ocupação. Lembra que foram “roubados” pela Rússia, que chegou a integrar o Memorando sobre as Garantias de Segurança relativamente à adesão da Ucrânia ao Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, também conhecido como Memorando de Budapeste.

Contudo, os compromissos para com a Ucrânia não foram cumpridos. Andriy Petryna defende, por isso, que “a Federação Russa deveria ser banida da ONU”, onde é um dos Membros Permanentes do Conselho de Segurança, da SWIFT, que é uma organização responsável por uma rede internacional de comunicações financeiras entre bancos e outras entidades, bem como de outras associações que primam pelos direitos humanos. Sobre uma certa “neutralidade da China” em relação a esta guerra, considera que não é do interesse chinês algo que ameace o comércio europeu e mundial.

Esta noite, juntamente com mais ucranianos que residem na Madeira, vai se juntar à missa que terá lugar na Sé catedral do Funchal. As Igrejas Católica, Anglicana, Luterana e Presbiteriana realizam, às 20 horas, uma celebração ecuménica pela paz entre a Rússia e a Ucrânia. “É a forma das Igrejas Cristãs responderem a todas as situações e a esta em concreto”.